Mas até 3.0

Um No Meu Um No Teu

Publicado em América Latina, Capitalismo, Crime, Política, Socialismo, Violência por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Abril 8, 2009

É fácil demais achar esqueleto no armário alheio.

Pelos motivos que já citei em um texto bastante largo ( http://sergiohrds.wordpress.com/2009/01/27/cesare-battisti-carta-aberta-de-silvio-tendler-ao-ministro-tarso-genro/ ), tenho a impressão, baseada não só em impressões, muito forte que Cesare Battisti é inocente. Mais, é um bode espiatório, que só é caçado pelo Berlusconi por pura conveniência, meter um ” subversivo terrorista ” na cadeia por um crime nos quais os verdadeiros culpados já estão presos.

O escândalo todo promovido por setores da opinião pública italiana, brasileira e além do mais, manifestações oficiais de deputados, diplomatas italianos acusando o governo brasileiro de dar teto a um terrorista, foi tão fora de lugar, desproporcional.

Ameaçaram até cancelar uma partida de futebol entre Brasil e Itália.

Pois… sabe quem esta devidamente asilado e bem acarinhado em solo italiano? Emilio Eduardo Massera, militar argentino, que entre 1976 e 1981 fez parte da Junta Militar que fez com que fossem  mortos e desaparecidos, juntos, em um período menor que 8 anos, muito mais de 30 mil pessoas.

Um homem que entre os igualmente repelentes e que a cada tempo vez e teve seu período de relevância na junta seja Viola, Videla, Agosti, Galtieri. Massera era o mais sórdido, tinha prazer em assistir gente sendo torturada. O entuasista mor da tortura com posterior assassinato do torturado. Funcionava assim, a vítima, era jogada de um avião em pleno voo e ouvia do soldado que o jogava no ar ” Já viu aquele filme da freirinha que voa? “.

Massera é um pusilânime, pra não ficar em termos tão exagerados podemos também dizer: Se trata Emilio Eduardo Massera de um vasta filho da puta. A seu pleno gosto e ordem a sede da ESMA ( Escola Superior Militar Argentina ) não só matava e torturava gente na sua sede, as presas grávidas tinham seus filhos roubados, davam a luz e as crianças sumiam. Roubados e dados a outras famílias que fossem simpáticas e apoiassem a Junta, muitas outras vezes eram mortos.

Massera tem camiseta com número de titular esperando ele pra jogar no time do inferno. Em 90 indultado ( no indulto geral ) pelo repelente, Carlos Saúl Menem. Porém em 1998 foi condenado por crimes de sequestro e outros crimes ligados a ser mandante de documentos falsos durante a Junta. As acusações que foram ligeiramente apresentadas em período posterior, eram as obvias, vieram nos crimes graves, que não tem prescrição ( por isso um milico brasileiro pode tranquilamente ir preso exatamente agora ), esses crimes são os crimes contra a humanidade.

Simulou em 2001 e 2005 duas lesões cerebrais, que supostamente lhe alegariam demência e incapacidade de responder pelas atrocidades que cometeu.

Porém, desde que os Kirchner pegaram o poder, antes com Nester agora com Cristina a tolerância com trâmites burocráticos que sempre favoreceram os criminosos como Massera foram todos acelarados. Com Massera na Itália mesmo, o judiciário argentino conseguiu fazer exames em Massera e provar que ” lesões cerebrais e demência ” eram bobagem. Mesmo não sendo mais criança, sempre soube muito bem o que fez e o que deixou de fazer.

Dia 26 de março Massera se chega a decisão que existe capacidade plena pra responder, mesmo na Itália, pelo que fez ou cometeu – Escolham.

Curto e grosso? Massera é um torturador, assassino que é verdade nunca agiu sozinho. Era subordinado sim a Antonio Astiz e tinha relações ótimas com a Igreja Católica, que dentro da Argentina tem pilhas de padres envolvidos em assassinatos, torturas, entregar gente que tentava escapar da Junta ou ainda de muitos dos governos opressores que desde 1930 se revezaram com os bons governos.

Lembremos que um bastião de tudo que é correto dentro da Argentina, Eva Perón, era odiada pela Igreja Católica. De cabeça agora me falta a certeza, mas me parece que ela foi excomungada e isso nem fazia lhe dava cócegas na consciência.

Ah… Acusam Battisti, equivocadamente, de ter matado 4. Certo?

Massera por alto é responsável pela morte de 30 mil.

A questão vai além da mera comparação, que se pode parecer simples é também verdadeira. Mas que é pra lá de irônico que Battisti seja considerado um vilão. Já Massera não se pode esquecer, uma tortura, dependendo de  como for é pior que um homicídio. Transforma a vida de alguém em extremamente limitada, fisicamente e mentalmente, uma vida mal vivida, com traumas gravíssimos e pesadérrimas limitações físicas, dificuldades até pra respirar por exemplo é menos digna que uma morte.

Massera, criminoso sem a menor possibilidade de existir discussão sobre sua culpabilidade, pode ficar na Itália e a Itália, administrada por um homem cuja reputação é limpa e proba, nunca errou e o dia no qual errou é por que tinha se enganado.

Battisti que até incapaz legalmente ( busquem a ficha criminal dele ) periga ser é um sujeito que de tãooooo perigoso, parece carregar a difusão da Aids, gremismo, tétano e um braço fraturado pra qualquer um que olhar pra ele.

Cesare Battisti, Carta Aberta de Silvio Tendler Ao Ministro Tarso Genro e Petição Online de Solidariedade Contra A Extradição.

Publicado em Brasil, Política, Socialismo, Violência por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Janeiro 27, 2009

Vou ser incrivelmente breve. Como nunca me foi de costume. Essa que segue, é a carta escrita pelo cineasta Silvio Tendler ao Ministro da Justiça, Tarso Genro no que diz respeito a justa posição do governo do governo brasileiro no acolhimento a Cesare Battisti. Não se pode extraditar alguém que foi condenado sem julgamento, argumentos mais numerosos e contundentes são devidamente expostos na carta e na petição. 

Abaixo a carta que é do ano passado, 16/12/08. Depois, a petição online ( com link ) de solidariedade contra a extradição de Battisti.

 

Carta aberta do cineasta Sílvio Tendler ao Ministro Tarso Genro

Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2008.

Ao Exmo. Sr. Ministro da Justiça Tarso Genro

Ilustre Ministro:

Venho tomar dois minutos de seu precioso tempo que poderão salvar uma vida. Quis o destino que recaísse em seus ombros a decisão que pode salvar o escritor Cesare Battisti dos cárceres italianos.

Não se trata, prezado Ministro, de eludir a lei, mas, sim, de impedir a vingança. Pelo que tenho lido, o processo contra Battisti é montado a partir de enormes falhas que podem punir um inocente para acobertar um culpado.

Lembro os terríveis precedentes de Olga Benário e Elize Ewert, deportadas para um campo de concentração. O final da história, o Sr. conhece bem.

Aliás, amparado pela cidadania, o banqueiro Cacciolla viveu livremente na doce Itália depois do rombo que deixou em nossa economia e pelo qual foi condenado no Brasil, onde cumpre pena. Não foi deportado pela Itália, que ao contrário, lhe protegeu.

Quer a lei que o Sr., em nome do humanitarismo de nosso povo acolhedor, possa decidir pela permanência de Battisti entre nós.

Lembro que temos uma tradição e que já concedemos asilo até mesmo a Georges Bidault, ex-ministro francês envolvido em atentado contra o Presidente Charles De Gaulle e contra a independência da Argélia. Bidault foi aqui acolhido por razões humanitárias pelo Presidente JK. Não vejo porquê um jovem revolucionário que converteu-se em escritor não possa ser salvo pelo Sr., com um gesto de grandeza.

Quantos brasileiros foram, um dia, acolhidos no exterior, salvos das garras de uma ditadura sanguinária que os alcunhava de “terroristas”?

Lembre-se de Olga, Elize Ewert, o casal Rosemberg e de tantas injustiças cometidas em nome das leis. Lembre-se dos dez de Hollywood.

Lembre-se do Caso Dreyfuss e seja Emile Zola. Repudie Felinto Muller, exerça seu Ministério com grandeza e permita que o escritor Cesare Battisti permaneça entre nós.

Atenciosamente,

Silvio Tendler

Cineasta

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http://www.petitiononline.com/cesare07/petition.html

To:  Superior Tribunal Federal

ABAIXO ASSINADO DE SOLIDARIEDADE E CONTRA A EXTRADIÇÃO DE CESARE BATTISTI

Nós abaixo assinados nos solidarizamos com o militante político, poeta e escritor Cesare Battisti, preso pela policia Federal em 18 de Março de 2007, no Rio de Janeiro.

Nosso país, sendo regido pela democracia, deve se ater a que a prisão de Cesare Battisti segue na contramão dos preceitos jurídicos que orientam o espírito do Estado Democrático de Direito e os ideais dos direitos fundamentais e humanos, elementos constitutivos da preservação da vida e da dignidade humana.

CESARE BATTISTI é militante de esquerda e participou ativamente dos embates políticos e ideológicos no contexto de guerra fria que permeava o mundo bipolar dos anos 70, tendo sido condenado a revelia em seu país, num procedimento jurídico questionado e rejeitado pela Corte Européia de Direitos Humanos. Ressaltamos que a suspeita que lhe é recaída é inconsistente do ponto de vista jurídico, principalmente decorrente dos anos 70, num tempo onde o mundo foi marcado pelo acirrado conflito ideológico.

Por fim, entendemos que o que requeremos é justo e encontra ressonância e total amparo político e jurídico na nossa Carta Magna que de forma imperativa, declara no inciso LII do artigo 5º da Constituição Brasileira, a não extradição de estrangeiro domiciliado em nosso território, por questão política e ideológica em seu país de origem. – as leis brasileiras não reconhecem sentenças proferidas sem a presença do réu, o que aconteceu com Battisti que se encontrava como asilado político na França à época.

Nestes termos subscrevemos este documento e exigimos sua imediata soltura e arquivamento do processo movido contra ele.

Sincerely,

The Undersigned

Itália 1( 3 ) x1 ( 4 ) Argentina, Semi-Final Copa do Mundo 1990.

Publicado em Copa Do Mundo, Escalações, Ficha Técnica, Racismo, Vídeo de gols por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Janeiro 22, 2009

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O dia em que Nápoles emudeceu.

Passando na primeira fase graças a repescagem e depois de fazer muita força contra Brasil e Iugoslavia, a Argentina chegou as semis contra uma Itália dona da casa que evoluía junto com o torneio.

 

Mas era Nápoles, essa terra tinha rei e era Maradona. E com uma declaração pra lá de verdadeira deixou os napolitanos sem saber o que fazer, pra quem torcer. Disse: ” No país todo chamam vocês de africanos, sub-raça, o que for pra fazerem pouco de vocês eles fazem. Esses mesmos que nem gente acham que vocês são querem que vocês torçam pela seleção Deles. Agora que é conveniente vocês são italianos… “.

Campo mudo. Que tentou se desendurecer quando aos 15 minutos do primeiro tempo saía o gol do também sulista, mas não napolitano, Salvatore ”Totó” Schillaci fazia 1×0. A Itália se defendia muito bem, já levava largo tempo, quase 600 minutos que não sofria gols. Até os 28 do segundo tempo, Caniggia sobe em cima de Walter Zenga e empata o jogo. Cruzou Julio Olariticoechea. O jogo seguiu 1×1 até depois da prorrogação. E com o estádio San Paolo de Nápoles mudo.

O intermédio do tempo normal aos pênaltis foi especialmente curiosíssimo. A questão não era torcer pra Argentina, muito menos torcer pelo Maradona. É de fato estranhíssimo lembrar a atmosfera que foi criada pelas declarações sobre o orgulho napolitano. Ainda era muito viva, eles sabiam que Maradona não seria louco de brincar com isso ou usar como algum tipo de artefato pra obter alguma vantagem anímica sobre os italianos, de fato acreditava e ainda acredita nisso. Nem o contagio que gera uma semi-final de Copa do Mundo tirava a cabeça deles aquela verdade dita pelo 10. Era inevitável, agora eram italianos. E depois?

Nos pênaltis, como antes contra a Iugoslávia, Goycochea se sobressaiu, a Argentina foi pra final.  Perderia pra Alemanha 1-0, gol de Brehme batendo pênalti ( que não foi ). Mas que se diga, a Alemanha foi mais na Copa e na final. Vinha de uma semi de iguais com a Inglaterra, quase iguais na verdade. Era um time mais maduro o alemão, talvez por isso tenha passado nos pênaltis, talvez não exatamente por isso, eram pênaltis. Os coreanos não tinham mais bagagem que Itália e Espanha em 2002. 

A Argentina sem Caniggia e com Maradona no auge do sacríficio simplesmente não pode com um time alemão que era superior. É sim verdade que o trabalho defensivo bem ordenado e hercúleo, vindo de um sistema de marcação muitíssimo bem armado por Carlos Salvador Bilardo também merecem lembrança.

Diego jogou com o tornezelo arrebentado jogou todo o Mundial.

Itália 1 x 1 Argentina. Nos pênaltis Itália 3×4 Argentina

Itália ( 1-4-3-2 ) 1 Zenga; 2 Baresi; 3 Bergomi ( capitão), 4 De Agostini, 6 Ferri, 7 Paolo Maldini; 11, De Napoli, 13 Giuseppe Gianinni ( 15 Roberto Baggio ), 17 Roberto Donadoni; 19 Schillaci e 21 Gianluca Vialli ( 20 Aldo Serena ). Técnico: Azeglio Vicini

Argentina ( 3-5-2-1 ) 12 Goycochea; 18 Serrizuela, 19 Oscar Ruggeri, 20 Simon; 4 Basualdo ( 2 Sérgio Batista ), 6 Calderón ( 21 Pedro Troglio ), 14 Giusti, 16 Olariticoechea; 7 Burruchaga, 10 Diego Armando Maradona ( capitão ); 8 Cláudio Paul Caniggia. Técnico: Carlos Salvador Bilardo.

Lazio 3 x 2 Roma – Campeonato Italiano;19/3/08

Publicado em Clássico, Escalações, Ficha Técnica, Futebol, Vídeo de gols por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Outubro 20, 2008

Jogaço. A Lazio se ganhasse deixaria a Roma de fora da briga pelo Scudetto, foi um jogaço. Aliás esse é um clássico que sempre tem isso, jogos que pra quem tá de sangue doce é uma maravilha. Pra quem torce deve ser O pavor….

 

 Na foto, Rolando Bianchi da Lazio, passa por Philipe Mexés, da Roma.  

 

Lazio ( 4-3-1-2/4-3-3 )

32 Balota; 29 De Silvestri ( 5 Mutarelli ), 13 Siviglia, 25 Cribari, 3 Kolarov; 24 Ledesma, 6 Dabo ( 26 Mundigayi ), 85 Behrami; 19 Pandev; 18 Rocchi e 9 Rolando Bianchi. Técnico: Délio Rossi

Roma ( 4-4-1-1 )

32 Doni; 77 Cassetti ( 2 Pannucci ), 5 Mexes, 4 Juan, 3 Cicinho; 11 Taddei ( 14 Giuly ), 16 De Rossi, 8 Aquilani, 9 Vucinic ( 30 Mancini ); 20 Perrota; 10 Totti. Técnico: Luciano Spaletti

Gols Lazio: Pandev 43,1ºt; Rocchi 12, 2ºt ( pen ), Behrami 47, 2ºt

Gols Roma: Taddei 28, 1ºt; Perrota 16, 2ºt