Ê TV…
A tv tem cada coisa, não importa por onde se queira olhar, como fenômeno de comunicação e hoje suplantador de quase toda atividade pública… como difusor de besteiras, ou de história….. um avião batendo mergulhando num arranha céu, não importa o momento.
Me veio essa idéia de colocar isso por aqui, em especial as coisas que se por um lado são mais custosas de achar, são as melhores pra se compartilhar.
Essa pecinha aqui é do começo dos anos 60 quando alguns comerciais, vistos sob a perspectiva de hoje são maravilhosos. Maravilhosos aqui levando em conta o ponto de vista da impossibilidade total completa e absoluta de sua existência hoje, também. Seja pela sua estética Kitsch ou defesa de valores reacionários, ou sem nenhuma intenção rompedora de algum paradigma, que no fim rompeu. Seja lá qual ou o que for.
Ah e que se diga o péssimo gosto hoje segue, digital, com 90 câmeras filmando 1 quadro em menos que segundos e tudo mais que a tecnologia tentou ajudar. Mas enquanto quem operar for a turma em busca do ” público alvo, que gosta de linkar coisas fucking legais e assim conseguir manter o foco…. “, eu pelo menos sigo é dando risada.
Pra quem tá com o inglês um pouco mais afiadinho que note, no finzinho do reclame o locutor sugere que com todo o equipamento disponível, o gurizinho que for o feliz proprietário deste Kit ( da empresa de brinquedos Mattel ) ficaria tão bem armado a ponto de ser alguém pronto pra ” além de combater o crime, teria a habilidade de caçar comunistas”…………….
Fala que eu te escuto… se der respondo ( Papel Podre )
Simplezinho e curtinho….. o Papel Podre é aquele disco ruim, brega, que todo mundo tem vergonha mas sempre dá uma escutadinha. São os títulos que por mais que se desvalorizem não acham comprador nunca, sempre com pouca credibilidade junto ao mercado. Quem vive atrás desses títulos é o Estado que sempre compra, afim de injetar mais Liquídez ( capacidade de converter Ativos, que são os bens, todos, de uma empresa ) no mercado. A Liquídez é a capacidade de transformar o Ativo em moeda real, dinheiro efetivo, claro e cristalino. O Estado compra esses papéis pra isso, tentar limpar eles e dar gás pra economia. Em uma economia que joga tanto com o juro baixo como sempre é a americana quando tem republicano no comando o Papel Podre corre solto e acabou caindo pra poucos desavidos e muitos, mas muitos mesmos mal intencionados ( nesse caso fundos de investimento, bancos e empresas do setor imobiliários e economistas de aluguel incitando a compra de Papel Podre por particulares ).
A merda toda é que os fundos de investimento em especial e os bancos, resolveram quando viram o dinheirão que tinham na mão ( dinheirão de gente que não tem por onde especular, dinheiro de gente da classe média e da classe média remediada que deu tudo que tinha pra essa gente…. especularam com dinheiro de quem não tem dinheiro de maneira irresponsável e sem sombra de dúvida com má intenção ) compraram pilhas em papel podre. O problema é que entupiram os bolsos de Papel Podre quando o juro era baixo, aí parecia um negócião, o Papel Podre limpa na mão até de uma empresa com juro baixo, que é uma das maiores ilusões que o mercado financeiro apresenta. Juro baixo é pra negócio de bilionário com bilionário. Honestamente, quem joga com especulação sabe que o juro pode voar e ir lá pro céu a qualquer momento. Eles sabiam do risco, é um menosprezo a inteligência de qualquer um que acompanha mais de perto o assunto. Nem precisa ser de maneira profunda. Os juros subiram, e subiram sem a economia estar estruturada pra tanto. O dinheiro encarceu e a capacidade de endividamento da classe média aumentou. Como é do jogo, totalmente esperável o juro subiu e aí começou a onda de inadimplência lá com o cliente Subprime, que já não tinha dinheiro pra nada mesmo. Mas pra ficar só no Papel Podre, passo até o link no qual eu falei já sobre cliente Subprime, e mais umas tentativas de explicação e uma que outra impressão sobre a crise.
Aqui ó…. http://sergiohrds.wordpress.com/2008/10/23/crise-economica-o-outro-muro-caiu-se-sim-e-dai/
Crise econômica, o outro muro caiu? Se sim e daí?
” A econômia quebrou ” ou ainda: ” Aí vem uma recessão ( ou já chegou ) “. Dizem outros ainda: ” Não sabemos ainda até onde essa crise vai “. E nada é muito animador, quebradeira geral de bancos, quedas de até 14% em bolsas pelo mundo todo. Antes de qualquer coisa explicar umas questões pode deixar tudo mais bem esclarecido.
No ano de 2001 o Fed ( comparando se equivale no Brasil ao Banco Central ), adotou uma política de queda de juros, afim de salvar empresas relacionadas com a internet que vinham perdendo muito dinheiro a beira da falência. Essa crise atingia um grupo muitíssimo mais restrito de pessoas, mas envolvia um negócio que movimentava já muito dinheiro.
Juros baixos, deixam o dinheiro mais barato, pra quem é bilionário como os investidores dotcom sempre será jogo ser parte de um pacote de salvação do governo com os juros jogados lá pra baixo.
Uma diferenciação, o dinheiro que fica especulando e sendo investido em papel podre não é garantia pra econômia real. Porém, juros baixos fazem o dinheiro que deveria entrar no plano real da econômia nunca dar as caras, ser eterno alvo de especulação e ficar flutando pelo mercado. Os defensores do juro baixo sempre acharam que pelo fato desse dinheiro tão barato, correr em terreno especulatório, seu destino seria definido e sanamente vaticinado pela infalível Mão Invisível do Mercado. Que segue invisível desde o dia que foi inventada, essa Mão tudo que fez até hoje vai manter-se invisível…
A Mão Invisível…. segue sem uso e em 2003 quando a demanda por imóveis nos Estados Unidos ganhou dimnesões gigantescas, parte da classe média nos Estados Unidos começou, encorajada pelos preços baixos que oferecia o mercado imobiliário e encorajada por muitos economistas com espaços em todo santo veículo midiático, foi as compras de suas casas próprias. No início tudo que tinham a fazer era negociar com um banco, investidor de fundos, o que seja, eles davam uma garantia em troca recebiam papéis de títulos dos bancos ou fundos. Em troca levavam uma casa cujo financiamento só terminaria de ser pago em muitos casos em quase 100 anos. Ah sabe o que o investidor ou banco levava do cara que levaria 100 anos pra ganhar essa casa? Na grande maioria das vezes, TUDO. Tudo que um americano de classe média tem, a hipoteca da casa eventualmente um carro.
Se eu tenho uma empresa, sou um bilionário investidor, maravilha então jogo meu dinheiro no mercado especulatório. O setor imobiliário chega e começa a financiar imóveis com juros ( regulados pelo Fed ) menores que 1% ao ano.
A irresponsabilidade chega a um ponto em que se cria o cliente Subprime, que trocando em miúdos praticamente receberia pra ganhar uma casa. O cliente Subprime nada mais é que o camarada que mal tinha como comprovar renda. Recebia um empréstimo de bancos, gestores de fundos, enfim quem fosse ele procurar, todo mundo tava nessa de financiar uma casa a demanda era muito grande. Logo, o Subprime vendia seus títulos pra bancos, investidoras especializadas no ramo imobiliário, fundos de investimentos. O negócio foi crescendo, muitos dos compradores que tinham um dinheirinho extra passaram também a comprar títulos de clientes Subprime. Afinal, teriam uma casa nova do cacete e ainda por cima lucrariam ( via títulos ) com isso. Finalmente a chinelagem tava especulando em grandes e boas proporções. ” Vendo minha casa e tudo que eu tenho em troca de uns títulos na bolsa que podem me dar uma casa “.
Havia segurança? A economia oferecia condições? Sim, no momento sim. Tanto quanto agora tem segurança em se afirmar categoricamente, que mais vale cair em desgraça do que do oitavo andar.
Mas esse dinheiro todo, de gente que tinha e muito a perder, aliás muito não, tudo a perder. Dinheiro da econômia real, jogado pro campo especulatório transformado em títulos que foram jogados em papel podre. Não eram parte da econômia real. Especular com gente cuja noção de dinheiro funcionava em dinheiro pra pagar conta do colégio, remédios e hipotecas de casas e dar pra esse povo em troca títulos de dívidas com bancos e fundos de gestão é loucura. O mercado especulador não segue uma lógica feita pra donas de casa serem parte ativa e preponderante nele.
O que ainda é pior MUITA gente entrou aqui, uma crise desse tamanho não começaria por aqui ( obvio que ela não se desenolve nem se explica inteira por aqui ) se só John and Mary tivessem sido clientes Subprime e ficassem devendo pro sistema financeiro.
Quando o Fed se viu obrigado a subir os juros, seguindo as demandas econômicas de 2004, as regras mudaram. Juro alto, encarece o dinheiro, a econômia especulativa na qual basicamente toda classe média e a classe média baixa americana foi exposta, fica restrita só aqueles que tem bilhões no bolso pra começarem a fazer o dinheiro girar. Quem não tem, perde tudo. Já em 2006 o auge do orçamento dessa gente foi ter grana pra pegar uma canetinha hidrocor e fazer com papel de cartolina os dizeres: ” UM BANCO FALIDO ME TUDO QUE JÁ TIVE “.
O cliente Subprime, pela lógica, foi o primeiro que começou a não pagar desenvolveu uma onda de gente parando de receber dinheiro e por tabela sem ter pra pagar. Criando uma onda de insegurança no que diz respeito a honrar os seus compromissos na econômia americana. Como conseguiram botar um sujeito cuja capacidade de conseguir um financiamento pra qualquer coisa é ZERO? Quando a maior e mais influente econômia do mundo, passa a lidar com inadimplência de títulos e tem bancos e fundos de investimentos no meio, que se imagine o clima de insegurança que não se cria no mundo todo. O cliente Subprime só empurrou pro gol, botar no rabo dele é a sacanagem mor, aliás é foi o grande sacanaeado dessa história toda.
A quebradeira de bancos e fundos de investimentos serviraram pra mostrar que a crise vai muito além de um Six Pac Joe esquecendo de pagar a presteca da casa dele. Os bancos e fundos quebrando queriam dizer também a falência da multidão de pessoas que tinha dado tudo pra essa gente, em troca de uma casa. Simplificar a crise a ingenuidade daquele que buscava uma casa é muito sem pedir perdão por redundância, simples.
Agora, outra coisa, os manejadores do dinheiro. Os ( mal intencionados ) investidores e economistas liberais, babando pela grana alheia como um hiena fica histérica por merda, vão fazer o que agora? Honestamente, não sei se chegamos na fase do capitalismo na qual previa Marx, partindo da capacidade de engendramento do sistema capitalista sobre todos os fenômenos e circunstâncias que lhe cercam. Assim chegaria a um ponto no qual depois de tanto engolir, engendraria aquilo que seria seu veneno e o mataria. De 1914 até 1945 ele passou por uma depressão ( bastante maior que uma recessão como a atual por acontecer ) e duas guerras mundiais. Tem gente que gosta de dizer que é a morte de um sistema por desejo, outros tantos por uma vontade de virarem uma espécie de profetas, também tem a grossa maioria que pra fazer o Ó tem que se sentar e ainda estar bem sujinho.
Das poucas certezas que sempre nos sobram em crises ou não, daqui, fico com uma. O sujeito a margem que faz uso da violência como gostam de dizer os reacionários ” O bandido “ figura fruto da exclusão social no terceiro mundo é uma caracterização mais terceiro mundana. Todavia está pronta pra surgir no primeiro mundo. A banalização da violência na sociedade civil, por exemplo, é uma das tantas bombas que a exclusão social traz consigo. Exclusão social, econômia fraca, encolhimento do estado e que se leve em conta não existe americano que sequer era capaz de cogitar isso há pouquíssmo tempo.
Mas confesso que não me anima nada nem dá vontade de ficar feliz em ver a derrota ” deles “. Sim é verdade a política econômica liberal foi quem botou Wall Street abaixo e agora? Não gosto dos valores que o sistema capitalista trouxe. Imediatismo, morte do mérito, consumo e só consumo nada além do consumo. Um sistema que arrancou o escrúpulo das relações humanas, criou uma geração de retardados mentais que tem asco de quem puxa um cigarro pra fumar, casais homossexuais, são a favor da pena de morte. Esse sistema pra se alimentar criou muita mas muita gente chata, conformada, burra.
Além disso, o sistema econômico vigente até agora sinais de morte e final não deu nenhum. De enfraquecimento sim, mas muito olho na hora de dizer que esse tio véio morreu, ele sempre deu um jeito de voltar.


