Esclarecendo Daniel Passarella…. Argentina 1 x 2 Holanda, Copa do Mundo 1998
Antes de qualquer coisa, quando se fala na Argentina de 98 se fala em Daniel Passarella e alguns de seus bens chatinhos metódos no convívio com tudo que dissesse respeito direto a Seleção ganharam contornos duma vilania desproporcional, que ele simplesmente não tem.
No campo vem os esquecimentos, Zanetti, que só não era melhor que Cafú e Thuram essa altura da vida. Muito menos não se dá o devido valor aos dois centrais Ayala e Sensini. O que jogavam Almeyda, Simeone, Ortega e o craque do time que era Juan Sebastián Verón, abraçado com Daniel Alberto na foto. Ainda, a fase ultra goleadora do Batistuta e numa escala menor, mas não menos importante do Piojo Lopez. Tinham estilos que se completavam.
Mas qualquer um vivo e são em 1995, ano que assume Passarella a seleção, lembra da maior bobagem que se criou em torno dele. Que proibia jogadores de cabelo comprido no time. O que nunca existiu, o que sim fez Passarella foi afastar da Seleção os principais líderes de 86,90 e 94. Pra quem não sabe, em 94 Basile chegava bêbado na concentração na companhia as vezes até de jogadores igualmente mamados, que na concentração tinham suas famílias, podiam falar com a imprensa na hora que fosse. Particularmente não vejo eu nenhum problema nisso, as bebedeiras tampouco o ambiente que criaram não tiraram a Argentina da copa em 94. A baixa depois da sacanagem que fizeram com Maradona e como comprometeu a equipe animicamente é um fato. Outro, 17 chutes no gol da Romênia, só duas entram, deles 3. O ambiente não era nefasto, foi fundamental pro sucesso de 86 e pro sucesso sem vitória de 90.
As equipes de 86 e 90, dirigidas por Carlos Salvador Bilardo tinham em comum a solidez defensiva mais o fato de em 86 o escape do contra ataque estar em Burruchaga e Maradona já em 90 era Maradona e Caniggia.
Alfio Basile vê o futebol de uma maneira totalmente diferente. Em 94 um meio com Simeone asilado na função de volante, Redondo, Maradona depois Caniggia, Balbo e Batistuta. Ainda com Chamot e Cáceres toda hora vindo do fundo. Partia de uma premissa de ter mais posse de bola, encurtar o campo pro rival com seus jogadores de frente ( e nisso não falo em nenhuma marcação holandesa ).
Passarella era um híbrido futebolístico dos dois, tri campeão nacional com o River Plate, ( assumiu em 90, se aposentou em 89 num Boca x River que foi expulso jogado no campo do Velez ) era disciplinador, muito e talvez até demais no começo da carreira, inflou esse personagem na Seleção. Mas nunca um babaca que proibisse jugadores de cabelo curto ou largo no time, pode sim querer se pegar no pé dele por mil motivos, não ter chamado Sorin, poderia discutir por que não Caniggia por Claudio Lopez ( que na época voava no Valência ).
Só esse mito devia ser esclarecido, talvez tenha acontecido até coisa pior, uma espécie de transformação da Seleção no time dos meninos do treinador. Apesar de eu não ver gente com o temperamento do Simeone e do Verón se sujeitando a isso. Mas que sim existia com Passarella a figura do chefe, ausente do banco da seleção há tanto tempo e seu antecessor ter um administrado um bordel e não um time de futebol, cria uma onda de excessos na disciplina? Acho que sim, no momento Fernando Redondo outra controvérsia da sua época na Seleção não jogar era questão também de sistema, queria um 5 fixo como Simeone. Não se tratava só de desavença pessoal com o treinador.
Outra, fazer uma forcinha e pensar com a cabeça alheia nunca doeu. Passarella foi rifado da Seleção como capitão e jogador justamente quando a semente desse grupo é plantada em 82, por Maradona. Passarella por si mesmo deve ter tido muita dificuldade pra conviver no ambiente de 86, no qual foi quase que implantado por Bilardo contra a vontade de Maradona. Em 86 sequer jogou. Fosse a 94 seguramente ali buscaria o suicídio em segundos de convívio com aquela maneira de se levar as coisas.
Além do mais sua eliminação na Copa do Mundo foi num jogão com a Holanda, os 8 minutos e um pouco mais do compacto dão uma idéia. Idéia de 8 minutos em 90, mas dão.
Argentina 1×2 Holanda; Quartas de final, Copa do Mundo 1998.
Argentina ( 4-3-3 )
1 Carlos Roa; 22 Javier Zanetti, 2 Roberto Ayala, 6 Sensini, 3 Chamot( 18 Balbo ); 8 Simeone ( capitão ), 5 Matías Almeyda ( 4 Pineda ), 11 Verón; 10 Ortega, 7 Cláudio Lopez e 9 Batistuta. Técnico: Daniel Alberto Passarella
Holanda ( 4-4-2/4-3-3)
1 Van Der Sar; 2 Reiziger, 3 Jaap Stam, 4 Frank de Boer ( capitão ), 5 Numan; 7 Ronald de Boer ( 14 Overmars ), 6 Jonk, 16 Davids, 11 Cocu; 10 Bergkamp e 9 Kluivert. Técnico: Guus Hiddink
Gols: Kluivert, Lopez e Bergkamp.
Itália 1( 3 ) x1 ( 4 ) Argentina, Semi-Final Copa do Mundo 1990.

O dia em que Nápoles emudeceu.
Passando na primeira fase graças a repescagem e depois de fazer muita força contra Brasil e Iugoslavia, a Argentina chegou as semis contra uma Itália dona da casa que evoluía junto com o torneio.
Mas era Nápoles, essa terra tinha rei e era Maradona. E com uma declaração pra lá de verdadeira deixou os napolitanos sem saber o que fazer, pra quem torcer. Disse: ” No país todo chamam vocês de africanos, sub-raça, o que for pra fazerem pouco de vocês eles fazem. Esses mesmos que nem gente acham que vocês são querem que vocês torçam pela seleção Deles. Agora que é conveniente vocês são italianos… “.
Campo mudo. Que tentou se desendurecer quando aos 15 minutos do primeiro tempo saía o gol do também sulista, mas não napolitano, Salvatore ”Totó” Schillaci fazia 1×0. A Itália se defendia muito bem, já levava largo tempo, quase 600 minutos que não sofria gols. Até os 28 do segundo tempo, Caniggia sobe em cima de Walter Zenga e empata o jogo. Cruzou Julio Olariticoechea. O jogo seguiu 1×1 até depois da prorrogação. E com o estádio San Paolo de Nápoles mudo.
O intermédio do tempo normal aos pênaltis foi especialmente curiosíssimo. A questão não era torcer pra Argentina, muito menos torcer pelo Maradona. É de fato estranhíssimo lembrar a atmosfera que foi criada pelas declarações sobre o orgulho napolitano. Ainda era muito viva, eles sabiam que Maradona não seria louco de brincar com isso ou usar como algum tipo de artefato pra obter alguma vantagem anímica sobre os italianos, de fato acreditava e ainda acredita nisso. Nem o contagio que gera uma semi-final de Copa do Mundo tirava a cabeça deles aquela verdade dita pelo 10. Era inevitável, agora eram italianos. E depois?
Nos pênaltis, como antes contra a Iugoslávia, Goycochea se sobressaiu, a Argentina foi pra final. Perderia pra Alemanha 1-0, gol de Brehme batendo pênalti ( que não foi ). Mas que se diga, a Alemanha foi mais na Copa e na final. Vinha de uma semi de iguais com a Inglaterra, quase iguais na verdade. Era um time mais maduro o alemão, talvez por isso tenha passado nos pênaltis, talvez não exatamente por isso, eram pênaltis. Os coreanos não tinham mais bagagem que Itália e Espanha em 2002.
A Argentina sem Caniggia e com Maradona no auge do sacríficio simplesmente não pode com um time alemão que era superior. É sim verdade que o trabalho defensivo bem ordenado e hercúleo, vindo de um sistema de marcação muitíssimo bem armado por Carlos Salvador Bilardo também merecem lembrança.
Diego jogou com o tornezelo arrebentado jogou todo o Mundial.
Itália 1 x 1 Argentina. Nos pênaltis Itália 3×4 Argentina
Itália ( 1-4-3-2 ) 1 Zenga; 2 Baresi; 3 Bergomi ( capitão), 4 De Agostini, 6 Ferri, 7 Paolo Maldini; 11, De Napoli, 13 Giuseppe Gianinni ( 15 Roberto Baggio ), 17 Roberto Donadoni; 19 Schillaci e 21 Gianluca Vialli ( 20 Aldo Serena ). Técnico: Azeglio Vicini
Argentina ( 3-5-2-1 ) 12 Goycochea; 18 Serrizuela, 19 Oscar Ruggeri, 20 Simon; 4 Basualdo ( 2 Sérgio Batista ), 6 Calderón ( 21 Pedro Troglio ), 14 Giusti, 16 Olariticoechea; 7 Burruchaga, 10 Diego Armando Maradona ( capitão ); 8 Cláudio Paul Caniggia. Técnico: Carlos Salvador Bilardo.
Nem dá pra dizer que tá simpático
José Luiz Felix Chilavert, o tempo…. temputão maldoso contigo. Ao lado esquerda em 1987, quando foi goleiro do San Lorenzo, primeiro time que defendeu na Argentina. Para chegar no Velez Sarsfield, clube do qual é emblema passou antes pelo Real Zaragoza da Espanha.
Ganhou tudo no Velez, não era o desgraçado que diziam ser debaixo das traves, mas não era nada de genial. Mas pegava na bola feito louco, perna esquerda, muita força, fez fama por muita coisa a força da coisa fez com que virasse o primeiro goleiro de destaque a ir regularmente bater faltas. Forte mais ainda era a personalidade, antes, parecia a personificação daquela coisa mágica de quem vê só um lado do sujeito com gênio ruim, de pessoas com personalidade forte. Existe uma espécie de magicazinha em torno delas, ou viram patetas falastrões e bobos simplesmente ou gente interessante, com alguma coisa pra dizer e fazer, a qualquer momento, de qualquer jeito.
Por exemplo, quando Oscar Ruggeri durante um San Lorenzo x Velez ( Com Chilavert no Velez já depois de uma discussão de campo, rápida, na qual Ruggeri disse por fim: ” Paraguayo de mierda ” pra Chila. Além do sangue ruim, ele, Chilavert se notabilizou sempre por um nacionalismo exarcebado e muito do imbecil. No meio do jogo, do nada ele sai do gol e vai caçar Ruggeri, com o jogo correndo o Velez tava sem goleiro. Saiu do gol pra dar uma porrada em quem tinha lhe ofendido. O tal nacionalismo é uma marca tão forte na sua personalidade que ele dizia nos jogos do Paraguai com o Brasil, super sério: ” Nos devolvam o Mato Grosso e o Acre que nos roubaram na guerra que os ingleses pagaram pra vocês “. Pra constar, isso é verdade, assim como por decreto a Argentina roubou 1/3 de terreno Uruguaio e uma parte considerável do Chile.
Outro incidente ligado também com racismo se deu com o então treinador do River Plate, Américo Ruben Gallego. Disse que não aguentava mais alguns ” índios jogando no meu país ”. Antes do jogo sequer começar, no campo do River, Chilavert entrou antes do próprio time e foi pra frente do do banco do River, esperar Gallego. Pequeno detalhe, mostro uma foto de Gallego, primeiro de tudo. Gallego, que como treinador começou lambendo as bolas de Daniel Passarella deveria responder na justiça por isso. Não é nem caso do ofendido entrar contra, é responsabilidade do Ministério Público mesmo, mas enfim.
Gallego meu filho, tu tem FUNAI escrito na testa.
Racismo e contra a própria raça? Graaaaande!
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Voltando pra vaca fria, o que tem de se relevar na questão do gênio ruim é que se por um lado, dá essa coisa de bandido aceitável, cara que nós amamos odiar. Ou amamos amar, fosse eu índio, trogloditismo a parte e ainda mais do jeito que certas questões raciais são manejadas na Argentina me sentiria representado, honestamente, mesmo que por um ato juvenil algum alívio sentiria.
Mas o gênio ruim, o pavio curto também cria cenas como essa, famosa.
Cuspir na cara de alguém? A troco de que santo?
Ainda mais, quando o sujeito vem na boa, queria fazer uma troca de camisas e ir embora pra casa.
Aí que entra o ânus ( não o ônus ) do gênio ruim, te dá momentos de gloriosa estupidez, mas aqui entrou um elemento novo, falta de caráter mesmo, cuspir na cara de alguém? Roberto Carlos foi só trocar uma camisa e dar um abraço. Daí por diante parei de levar a sério o Chilavert. Quem comete uma imbecilidade dessa mostra que o seu gênio ruim só o transforma num pateta mesmo. Pra ser justo, quem comete um ato mau caráter nem por sonho necessariamente é um.
Veio a Copa 2002 e ele pesando muitos kilos, na casa dos 3 dígitos tranquilo, é um cara alto pra burro de 1m93. Dos maiores papelões que um jogador profissional já submeteu na vida, gordo e mundialista não combinam.
O nacionalismo, nesse meio tempo Chilavert se aposentou em 2004, o nacionalismo fez com que ele cogitasse fortemente uma candidatura a presidência do Paraguaia, coisa que outro ex boleiro também paraguaio cogita. Romerito que jogou no Fluminense nos anos 80. Mas Romerito já teve cargos eletivos nos legislativo paraguaio. Chilavert segue falando e falando e falando. Nesse meio tempo, virou essa bola. Essa prequela de Buda, com um litro de acido sulfúrico jogado em cima. Arre banha. A estética acompanhou a língua, e o temperamento de Santino Corleone que antes dava a graça de sujeito duro, firme já não dá mais. Agora a graça é outra, e de acordo com o freguês não é tão engraçada assim.
Argentina 1 x 0 Nigéria – Copa Do Mundo 2002, 1ª Fase, Grupo F; 2/6/02
A Copa da Japéia ( Japão e Coréia ) contou com uma apresentação abaixo da esperada da muito mais do que ultra badalada Seleção Argentina, que se faça justiça, o time jogou exatamente a mesma bola das eliminatórias e dos jogos preparatórios. A realidade só não podia mais ficar esperando pra dar as caras, essa partida, vitória suada de 1×0 sobre a Nigéria desorganizadíssima, que contava com Nwankwo Kanu como volante central! Foi o prenúncio do equívoco de avaliação feito sobre esta equipe, qualificada, que jogava como um time holandês, com saídas dos zagueiros pelos lados do campo, atacantes e alas que iam e voltavam toda hora, equipe de grande e intensa movimentação. Mas nunca mostrou credenciais de favorita a um título em um campeonato do mundo, aquele time jamais jogou a bola que lhe conferiam.
Ah, aqui não marquei as substituições que sim ocorreram durante o jogo, a idéia de colocar online essas escalações é justamente trazer pra cá uma cópia fiel das anotações que fiz durante as partidas. Sem ajuda nenhuma pra complementar alguma informação na época não conseguida. Abaixo das escalações. Os melhores momentos da partida em vídeo depois da ficha do jogo.
Argentina 1x 0 Nigéria Gol: Batistuta
Argentina ( 3-3-1-3 ) 12, Cavallero; 4 Mauricio Pochettino, 6 Walter Samuel, 13 Diego Placente; 14 Diego Pablo Simeone, 8 Javier Zanetti, 3 Juan Pablo Sorín; 11 Juan Sebastián Verón; 10 Ariel Arnaldo Ortega, 9 Gabriel Omar Batistuta e 7 Cláudio Lopez. Técnico: Marcelo Bielsa
Nigéria ( 4-4-2 ) 1, Shoronmu; 16 Sodje, 6 Taribo West, 5 Okoronkwo, 3 Babayaro; 10 Jay Jay Okocha, 4 Nwankwo Kanu, 2 Yode ( ? ), 11 Lawal; 9 Ogbeche e 17 Julius Aghahowa. Técnico: Festus Onigbdje




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