Um No Meu Um No Teu
É fácil demais achar esqueleto no armário alheio.
Pelos motivos que já citei em um texto bastante largo ( http://sergiohrds.wordpress.com/2009/01/27/cesare-battisti-carta-aberta-de-silvio-tendler-ao-ministro-tarso-genro/ ), tenho a impressão, baseada não só em impressões, muito forte que Cesare Battisti é inocente. Mais, é um bode espiatório, que só é caçado pelo Berlusconi por pura conveniência, meter um ” subversivo terrorista ” na cadeia por um crime nos quais os verdadeiros culpados já estão presos.
O escândalo todo promovido por setores da opinião pública italiana, brasileira e além do mais, manifestações oficiais de deputados, diplomatas italianos acusando o governo brasileiro de dar teto a um terrorista, foi tão fora de lugar, desproporcional.
Ameaçaram até cancelar uma partida de futebol entre Brasil e Itália.
Pois… sabe quem esta devidamente asilado e bem acarinhado em solo italiano? Emilio Eduardo Massera, militar argentino, que entre 1976 e 1981 fez parte da Junta Militar que fez com que fossem mortos e desaparecidos, juntos, em um período menor que 8 anos, muito mais de 30 mil pessoas.
Um homem que entre os igualmente repelentes e que a cada tempo vez e teve seu período de relevância na junta seja Viola, Videla, Agosti, Galtieri. Massera era o mais sórdido, tinha prazer em assistir gente sendo torturada. O entuasista mor da tortura com posterior assassinato do torturado. Funcionava assim, a vítima, era jogada de um avião em pleno voo e ouvia do soldado que o jogava no ar ” Já viu aquele filme da freirinha que voa? “.
Massera é um pusilânime, pra não ficar em termos tão exagerados podemos também dizer: Se trata Emilio Eduardo Massera de um vasta filho da puta. A seu pleno gosto e ordem a sede da ESMA ( Escola Superior Militar Argentina ) não só matava e torturava gente na sua sede, as presas grávidas tinham seus filhos roubados, davam a luz e as crianças sumiam. Roubados e dados a outras famílias que fossem simpáticas e apoiassem a Junta, muitas outras vezes eram mortos.
Massera tem camiseta com número de titular esperando ele pra jogar no time do inferno. Em 90 indultado ( no indulto geral ) pelo repelente, Carlos Saúl Menem. Porém em 1998 foi condenado por crimes de sequestro e outros crimes ligados a ser mandante de documentos falsos durante a Junta. As acusações que foram ligeiramente apresentadas em período posterior, eram as obvias, vieram nos crimes graves, que não tem prescrição ( por isso um milico brasileiro pode tranquilamente ir preso exatamente agora ), esses crimes são os crimes contra a humanidade.
Simulou em 2001 e 2005 duas lesões cerebrais, que supostamente lhe alegariam demência e incapacidade de responder pelas atrocidades que cometeu.
Porém, desde que os Kirchner pegaram o poder, antes com Nester agora com Cristina a tolerância com trâmites burocráticos que sempre favoreceram os criminosos como Massera foram todos acelarados. Com Massera na Itália mesmo, o judiciário argentino conseguiu fazer exames em Massera e provar que ” lesões cerebrais e demência ” eram bobagem. Mesmo não sendo mais criança, sempre soube muito bem o que fez e o que deixou de fazer.
Dia 26 de março Massera se chega a decisão que existe capacidade plena pra responder, mesmo na Itália, pelo que fez ou cometeu – Escolham.
Curto e grosso? Massera é um torturador, assassino que é verdade nunca agiu sozinho. Era subordinado sim a Antonio Astiz e tinha relações ótimas com a Igreja Católica, que dentro da Argentina tem pilhas de padres envolvidos em assassinatos, torturas, entregar gente que tentava escapar da Junta ou ainda de muitos dos governos opressores que desde 1930 se revezaram com os bons governos.
Lembremos que um bastião de tudo que é correto dentro da Argentina, Eva Perón, era odiada pela Igreja Católica. De cabeça agora me falta a certeza, mas me parece que ela foi excomungada e isso nem fazia lhe dava cócegas na consciência.
Ah… Acusam Battisti, equivocadamente, de ter matado 4. Certo?
Massera por alto é responsável pela morte de 30 mil.
A questão vai além da mera comparação, que se pode parecer simples é também verdadeira. Mas que é pra lá de irônico que Battisti seja considerado um vilão. Já Massera não se pode esquecer, uma tortura, dependendo de como for é pior que um homicídio. Transforma a vida de alguém em extremamente limitada, fisicamente e mentalmente, uma vida mal vivida, com traumas gravíssimos e pesadérrimas limitações físicas, dificuldades até pra respirar por exemplo é menos digna que uma morte.
Massera, criminoso sem a menor possibilidade de existir discussão sobre sua culpabilidade, pode ficar na Itália e a Itália, administrada por um homem cuja reputação é limpa e proba, nunca errou e o dia no qual errou é por que tinha se enganado.
Battisti que até incapaz legalmente ( busquem a ficha criminal dele ) periga ser é um sujeito que de tãooooo perigoso, parece carregar a difusão da Aids, gremismo, tétano e um braço fraturado pra qualquer um que olhar pra ele.
Fala Que Te Escuto Se Der Respondo; Fidel Castro E A Crise
Vale uma lida, de verdade que vale.
Fidel vai bem afundo das consequências concretas, imediatas ou esperando um pouco mais pra acontecer sobre a crise. Junto a ele estava o jornalista argentino, Atilio Borón, cujo link tá devidamente indicado no final do texto, assim como a direção original pra ir ler na Página.
Original da Página 12 Argentina, http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-121232-2009-03-10.html
Por Fidel Castro
Finalizado el evento sobre Globalización y Desarrollo con la presencia de más de 1500 economistas, destacadas personalidades científicas y representantes de organismos internacionales reunidos en La Habana, recibí una carta y un documento de Atilio Boron, doctor en Ciencias Políticas, profesor titular de Teoría Política y Social, director del Programa Latinoamericano de Educación a Distancia en Ciencias Sociales (PLED), aparte de otras importantes responsabilidades científicas y políticas.
Atilio, firme y leal amigo, había participado el jueves 6 en el programa de la Mesa Redonda de la Televisión Cubana, junto a otras eminencias internacionales que asistieron a la Conferencia sobre Globalización y Desarrollo.
Supe que se marcharía el domingo y decidí invitarlo a un encuentro a las 5 de la tarde del día anterior, sábado 7 de marzo. Había decidido escribir una reflexión sobre las ideas contenidas en su documento. Utilizaré en la síntesis sus propias palabras:
“Nos hallamos ante una crisis general capitalista, la primera de una magnitud comparable a la que estallara en 1929 y a la llamada ‘Larga Depresión’ de 1873-1896. Una crisis integral, civilizacional, multidimensional, cuya duración, profundidad y alcances geográficos seguramente habrán de ser de mayor envergadura que las que le precedieron.
Se trata de una crisis que trasciende con creces lo financiero o bancario y afecta a la economía real en todos sus departamentos. Afecta a la economía global y que va mucho más allá de las fronteras estadounidenses.
Sus causas estructurales: es una crisis de superproducción y a la vez de subconsumo. No por casualidad estalló en EE.UU., porque este país hace más de treinta años que vive artificialmente del ahorro externo, del crédito externo, y estas dos cosas no son infinitas: las empresas se endeudaron por encima de sus posibilidades; el Estado se endeudó también por encima de sus posibilidades para hacer frente no a una sino a dos guerras no sólo sin aumentar los impuestos sino que reduciéndolos, los ciudadanos son sistemáticamente impulsados, por vía de la publicidad comercial, a endeudarse para sostener un consumismo desorbitado, irracional y despilfarrador.
Pero a estas causas estructurales hay que agregar otras: la acelerada financiarización de la economía, la irresistible tendencia hacia la incursión en operaciones especulativas cada vez más arriesgadas. Descubierta la ‘fuente de juvencia’ del capital gracias a la cual el dinero genera más dinero prescindiendo de la valorización que le aporta la explotación de la fuerza de trabajo y, teniendo en cuenta que enormes masas de capital ficticio se pueden lograr en cuestión de días, o semanas a lo máximo, la adicción del capital lo lleva a dejar de lado cualquier cálculo o cualquier escrúpulo.
Otras circunstancias favorecieron el estallido de la crisis. Las políticas neoliberales de desregulación y liberalización hicieron posible que los actores más poderosos que pululan en los mercados impusieran la ley de la selva.
Una enorme destrucción de capitales a escala mundial, caracterizándolo como una ‘destrucción creadora’. En Wall Street esta ‘destrucción creadora’ hizo que la desvalorización de las empresas que cotizan en esa Bolsa llega casi al 50 por ciento; una empresa que antes cotizaba en Bolsa un capital de 100 millones, ¡ahora tiene 50 millones!. Caída de la producción, de los precios, de los salarios, del poder de compra. ‘El sistema financiero en su totalidad está a punto de estallar. Ya tenemos más de U$S 500.000 millones en pérdidas bancarias, hay un billón más que está por llegar. Más de una docena de bancos están en bancarrota, y hay cientos más esperando correr la misma suerte. A estas alturas más de un billón de dólares han sido transferidos desde la FED al cartel bancario, pero un billón y medio más será necesario para mantener la liquidez de los bancos en los próximos años.’ Lo que estamos viviendo es la fase inicial de una larga depresión, y la palabra recesión, tan utilizada recientemente, no captura en todo su dramatismo lo que el futuro depara para el capitalismo.
La acción ordinaria de Citicorp perdió el 90 por ciento de su valor en 2008. ¡La última semana de febrero cotizaba en Wall Street a U$S 1,95 por acción!
Este proceso no es neutro pues favorecerá a los mayores y mejor organizados oligopolios, que desplazarán a sus rivales de los mercados. La ‘selección darwiniana de los más aptos’ despejará el camino para nuevas fusiones y alianzas empresariales, enviando a los más débiles a la quiebra.
Acelerado aumento del desempleo. El número de desempleados en el mundo (unos 190 millones en 2008) podría incrementarse en 51 millones más a lo largo de 2009. Los trabajadores pobres (que ganan apenas dos euros diarios) serán 1400 millones, o sea el 45 por ciento de la población económicamente activa del planeta. En Estados Unidos la recesión ya destruyó 3,6 millones de puestos de trabajo. La mitad durante los últimos tres meses. En la UE, el número de desempleados es de 17,5 millones, 1,6 millón más que hace un año. Para 2009 se prevé la pérdida de 3,5 millones de empleos. Varios Estados centroamericanos así como México y Perú, por sus estrechos lazos con la economía estadounidense, serán fuertemente golpeados por la crisis.
Una crisis que afecta a todos los sectores de la economía: la banca, la industria, los seguros, la construcción, etcétera, y se disemina por todo el conjunto del sistema capitalista internacional.
Decisiones que se toman en los centros mundiales y que afectan a las subsidiarias de la periferia generando despidos masivos, interrupciones en las cadenas de pagos, caída en la demanda de insumos, etcétera. EE.UU. ha decidido apoyar a las Big Three (Chrysler, Ford, General Motors) de Detroit, pero sólo para que salven sus plantas en el país. Francia y Suecia han anunciado que condicionarán las ayudas a sus industrias automotoras: sólo podrán beneficiarse los centros ubicados en sus respectivos países. La ministra francesa de Economía, Christine Lagarde, declaró que el proteccionismo podía ser ‘un mal necesario en tiempos de crisis’. El ministro español de Industria, Miguel Sebastián, insta a ‘consumir productos españoles’. Barack Obama, agregamos nosotros, promueve el ‘buy American!’.
Otras fuentes de propagación de la crisis en la periferia son la caída en los precios de las commodities que exportan los países latinoamericanos y caribeños, con sus secuelas recesivas y el aumento de la desocupación.
Drástica disminución de las remesas de los emigrantes latinoamericanos y caribeños a los países desarrollados. (En algunos casos las remesas son el más importante ítem en el ingreso internacional de divisas, por encima de las exportaciones.)
Retorno de los emigrantes, deprimiendo aún más el mercado de trabajo.
Se conjuga con una profunda crisis energética que exige reemplazar al actual, basado en el uso irracional y predatorio del combustible fósil.
Esta crisis coincide con la creciente toma de conciencia de los catastróficos alcances del cambio climático.
Agréguese la crisis alimentaria, agudizada por la pretensión del capitalismo de mantener un irracional patrón de consumo que ha llevado a reconvertir tierras aptas para la producción de alimentos para ser destinadas a la elaboración de agrocombustibles.
Obama reconoció que no hemos tocado fondo todavía, y Michael Klare escribió en días pasados que ‘si el actual desastre económico se convierte en lo que el presidente Obama ha denominado década perdida, el resultado podría consistir en un paisaje global lleno de convulsiones motivadas por la economía’.
En 1929 la desocupación en EE.UU. llegó al 25 por ciento, al paso que caían los precios agrícolas y de las materias primas. Diez años después, y pese a las radicales políticas puestas en marcha por Franklin D. Roosevelt (el New Deal), la desocupación seguía siendo muy elevada (17 por ciento) y la economía no lograba salir de la depresión. Sólo la Segunda Guerra Mundial puso fin a esa etapa. ¿Y ahora por qué habría de ser más breve? Si la depresión de 1873-1896, como expliqué, duró ¡23 años!
Dados estos antecedentes, ¿por qué ahora saldríamos de la actual crisis en cuestión de meses, como vaticinan algunos publicistas y ‘gurúes’ de Wall Street.
No se saldrá de esta crisis con un par de reuniones del G-20 o del G-7. Si una prueba hay de su radical incapacidad para resolver la crisis es la respuesta de las principales bolsas de valores del mundo luego de cada anuncio o cada sanción de una ley aprobatoria de un nuevo rescate: invariablemente la respuesta de ‘los mercados’ es negativa.
Ya no está la URSS, cuya sola presencia y la amenaza de la extensión hacia Occidente de su ejemplo inclinaba la balanza de la negociación a favor de la izquierda, sectores populares, sindicatos, etcétera.
En la actualidad, China ocupa un papel incomparablemente más importante en la economía mundial, pero sin alcanzar una importancia paralela en la política mundial. La URSS, en cambio, pese a su debilidad económica, era una formidable potencia militar y política. China es una potencia económica, pero con escasa presencia militar y política en los asuntos mundiales, si bien está comenzando un muy cauteloso y paulatino proceso de reafirmación en la política mundial.
China puede llegar a jugar un papel positivo para la estrategia de recomposición de los países de la periferia. Beijing está gradualmente reorientando sus enormes energías nacionales hacia el mercado interno. Por múltiples razones que serían imposibles discutir aquí es un país que necesita que su economía crezca al 8 por ciento anual, sea como respuesta a los estímulos de los mercados mundiales o a los que se originen en su inmenso –sólo parcialmente explotado– mercado interno. De confirmarse ese viraje es posible predecir que China seguirá necesitando muchos productos originarios de los países del Tercer Mundo, como petróleo, níquel, cobre, aluminio, acero, soja y otras materias primas y alimentos.
En la Gran Depresión de los años 30, en cambio, la URSS tenía una muy débil inserción en los mercados mundiales. China es distinto: podrá seguir jugando un papel muy importante y, al igual que Rusia e India (aunque éstas en menor medida), comprar en el exterior las materias primas y alimentos que necesite, a diferencia de lo que ocurría con la URSS en los tiempos de la Gran Depresión.
En los 30 la ‘solución’ de la crisis se encontró en el proteccionismo y la Guerra Mundial. Hoy, el proteccionismo encontrará muchos obstáculos debido a la interpenetración de los grandes oligopolios nacionales en los distintos espacios del capitalismo mundial. La conformación de una burguesía mundial, arraigada en gigantescas empresas que, pese a su base nacional, operan en un sinnúmero de países, hace que la opción proteccionista en el mundo desarrollado sea de escasa efectividad en el comercio Norte/Norte y las políticas tenderán –al menos por ahora y no sin tensiones– a respetar los parámetros establecidos por la OMC. La carta proteccionista aparece como mucho más probable cuando se la aplique, como seguramente se hará, en contra del Sur global. Una guerra mundial motorizada por ‘burguesías nacionales’ del mundo desarrollado dispuestas a luchar entre sí por la supremacía en los mercados es prácticamente imposible, porque tales ‘burguesías’ han sido desplazadas por el ascenso y consolidación de una burguesía imperial que periódicamente se reúne en Davos y para la cual la opción de un enfrentamiento militar constituye un fenomenal despropósito. No quiere decir que esa burguesía mundial no apoye, como lo ha hecho hasta ahora con las aventuras militares de Estados Unidos en Irak y Afganistán, la realización de numerosas operaciones militares en la periferia del sistema, necesarias para la preservación de la rentabilidad del complejo militar-industrial norteamericano e, indirectamente, para los grandes oligopolios de los demás países.
La situación actual no es igual a la de los años treinta. Lenin ‘el capitalismo no se cae si no hay una fuerza social que lo haga caer’. Esa fuerza social hoy no está presente en las sociedades del capitalismo metropolitano, incluido Estados Unidos.
EE.UU., Gran Bretaña, Alemania, Francia y Japón dirimían en el terreno militar su pugna por la hegemonía imperial.
Hoy, la hegemonía y la dominación están claramente en manos de EE.UU. Es el único garante del sistema capitalista a escala mundial. Si EE.UU. cayera se produciría un efecto dominó que provocaría el derrumbe de casi todos los capitalismos metropolitanos, sin mencionar las consecuencias en la periferia del sistema. En caso de que Washington se vea amenazado por una insurgencia popular todos acudirán a socorrerlo, porque es el sostén último del sistema y el único que, en caso de necesidad, puede socorrer a los demás.
EE.UU. es un actor irreemplazable y centro indiscutido del sistema imperialista mundial: sólo él dispone de más de 700 misiones y bases militares en unos 120 países que constituyen la reserva final del sistema. Si las demás opciones fracasan, la fuerza aparecerá en todo su esplendor. Sólo EE.UU. puede desplegar sus tropas y su arsenal de guerra para mantener el orden a escala planetaria. Es, como dijera Samuel Huntington, ‘el sheriff solitario’.
Este ‘apuntalamiento’ del centro imperialista cuenta con la invalorable colaboración de los demás socios imperiales, o con sus competidores en el área económica e inclusive con la mayoría de los países del Tercer Mundo, que acumulan sus reservas en dólares estadounidenses. Ni China, Japón, Corea o Rusia, para hablar de los mayores tenedores de dólares del planeta, pueden liquidar su stock en esa moneda porque sería una movida suicida. Claro está, que ésta también es una consideración que debe ser tomada con mucha cautela.
Estamos en presencia de una crisis que es mucho más que una crisis económica o financiera.
Se trata de una crisis integral de un modelo civilizatorio que es insostenible económicamente; políticamente, sin apelar cada vez más a la violencia en contra de los pueblos; insustentable también ecológicamente, dada la destrucción, en algunos casos irreversible, del medio ambiente; e insostenible socialmente, porque degrada la condición humana hasta límites inimaginables y destruye la trama misma de la vida social.
La respuesta a esta crisis, por lo tanto, no puede ser sólo económica o financiera. Las clases dominantes harán exactamente eso: utilizar un vasto arsenal de recursos públicos para socializar las pérdidas y reflotar a los grandes oligopolios. Encerrados en la defensa de sus intereses más inmediatos carecen siquiera de la visión para concebir una estrategia más integral”.
Si alguien toma esta síntesis y la lleva en el bolsillo, la lee de vez en cuando o se la aprende de memoria como una pequeña Biblia, estará mejor informado de lo que ocurre en el mundo que el 99 por ciento de la población, donde el ciudadano vive asediado por cientos de anuncios publicitarios y saturado con miles de horas de noticias, novelas y películas de ficción reales o falsas.
* Publicado en Granma. El documento completo de Boron puede leerse en www.atilioboron.com
Ditaputaquetepariu
Atrasado e sem desculpas qualquer tipo de desculpas, tinha que na data ter manifestado, de maneira curta como agora, mas devia ter sido no dia. A Argentina foi atacada e desde aí até 1984, governada por uma curumilhagem das Forças Armadas no qual a regra quando branda era matar pra depois jogar no Rio da Prata, fosse mulher grávida, sem problemas. Muitas dondocas argentinas, entre elas a antiga sócia majoritária do Diário Clarín tem filhos que foram roubados de presas políticas, que pariam e depois eram torturadas e mortas. Era um 24 de março quando o país é tomado por gente da ESMA ( Escola Superior Militar Argentina ) que a Igreja Católica, eterna inimiga dos interesses populares na Argentina, começa a notadamente tomar o lado da direita e entrega pra morte, tortura ou desaparição dezenas de milhares de pessoas que muitas vezes não tinham nada com nada em relação ao confronto político. Todos esses agentes, nada novos na vida política local, em 1976 acabam fazendo do Estado aí um ente assassino, torturador e cerceador de liberdade, espero ( mas só espero infelizmente ) pelos lamentos, projeções coerentes de futuro com mais humanidade e reflexões profundas acerca os acontecimentos anteriores, e posteriores do dia 1º de abril/1964, a vez que no Brasil houve tomada ilegal e por parte de criminosos da pior estirpe pra comandarem um processo ditatorial e igualmente carniceiro no poder.

Apolítco Nem A Tua Mãe
Ando com idéias e pouco tempo, me ocorreu falar sobre a politização do Borges e do Bioy. Se é verdade que sempre tiveram asco ao Peronismo e a figura do General e da Evita mais ainda, me parece que o personalismo desse ódio é mais filho do classismo que do próprio personalismo em si.
É ser de uma cabacice imensa dizer que os dois eram apolíticos, essa afirmação ridiculariza a qualquer um. Bioy era oligarca e Borges altérrimo burguês, o que Perón fez pro Borges, colocando ele de burocrata na Biblioteca Nacional, foi tacanho, vingativo, Borges só teve uma atuação política de relevo na vida que foi a revolução de 30 com os incidentes envolvendo a Yrigoyen. A parte na qual se diz que era partidário de Onganía e nos anos 70 era simpático a Balbín pra derrubar Perón é mentirosa. É compreensível a bronca, eles tem seus motivos, mas isso não torna digno de concordância que fossem de maneira tão ferrenha anti Peronistas, já que isso desembocava em ser anti povo.
Se tratava o Peronismo de um regime dirigido aos interesses populares, era das massas, rompeu com uma série de paradigmas numa sociedade dualista, elitizada e conservadora não passaria batido por gente acostumada a ter governos de si e para si. Peron e o Peronismo foram fenômenos que não só acarinharam como afirmaram e garantiram as massas inegáveis ganhos e um tratamento digno a gente pobre, como nunca foram tratados antes, eram só os cabezas, cabezitas negras. Perón faz surgir na Argentina um processo de inclusão social muito forte, inédito, incomodando fortemente a oligarquia.
Os almoços com Videla dos Bioy, dos Ocampo e do próprio Borges são manchas desagradáveis nas biografias deles e de qualquer um seria. Mas não existe documentação de atuação política ferrenha dos dois, eram naturalmente de direita mas nunca apoiaram as práticas genocidas dos governos da Junta Militar. Nunca foi anarco como se amava dizer que era a natureza política de Borges ou não envolvido com a política. Um anarco é duríssimo de se achar, um apolítico não existe.
Eram duas pessoas de vida e conhecimentos políticos parcos, tinhos outros interesses, viviam a literatura quase como dois drogados viviam o vício. A obra dos dois nunca foi objeto de nenhuma intervenção conservadora, anti popular de forma que fosse ligada com suas convicções nos campos de pensamento sobre a polítca. Bioy( e Silvina é mais que Bioy ) é gênio e Borges uma entidade, qualquer tipo de se fazer ligação da obra deles com a atuação política que tiveram é antes de leviana extremamente vã e ignorante.
Na obra do tão amado Pablo Neruda sim se nota que há uma boa vontade e sim, dito por mim que sou de esquerda, já que com Neruda se nota uma boa vontade imensa e gigante por suas convicções progressistas.
Gilberto Freyre, explicou o Brasil da Casa Grande e da Senzala, o Brasil formando-se tendo como ponto de partida o negro e até hoje pelo fato de suas convicções direitosas é evitado em diversos ciclos universitários e mesmo nos meios intelectuais, Freyre era de direita se considerou inglês por muito tempo e era mais intelectual que qualquer imbecil que rechaça ele por sua natureza de pensar a polítca. Pelo tempo que passou na Inglaterra e onde teve sua educação tanto que era alfabetizado em inglês antes do próprio português, era filho de família oligarca, isso ( a condição social ) parece ser um impossibilitador de elocubrações intelectuais de qualquer tipo pra um setor muito do furreca, porém barulhento e influente da esquerda.
É Freyre sobrepujado pelo genial e até mais capaz e vasto que ele no papel de biógrafo do Brasil, Darcy Ribeiro, de esquerda. Darcy explica o Brasil através do índio, na verdade, começa a explicação por aí e infelizmente não existe boa pré disposição em relação a ele devido a seu talento gigantesco e sim devido a suas convicções políticas. Também foi Darcy um homem de grandes realizações políticas e sobretudo, humanas, não se resumiu nunca a ser um teórico. É ótimo que haja mesmo sendo dentro de um espaço restrito, uma noção e respeito de quem foi esse que foi muito que um grande homem.
Agora, quando falo direita, quero falar de Mario Vargas Llosa, dos argentinos como Bioy e Borges e até de um canalha completo como Sábato, também do que escreve o Delfim Netto num editorial da nojentérrima mas necessária de ler Folha de São Paulo. Espero dos bons direitosos valores morais conservadores e proteção liberal em relação a suas convicções de economia.
Ou ainda pra falar de mais gente, sujeitos como Edmund Wilson um conservador erudito, que em Rumo a Estação Finlândia se demonstra interessantíssimo fazendo uma análise de ícones esquerda, parece como que feita por um forasteiro, é interessantíssimo ver ele da relação entre Bakunin e Marx e os pontos em comum que estabelece entre os dois. Chegando na controvérsia poderia se falar de alguém como Ezra Pound. De escolhas políticas de uma natureza horripilante, fascista, mas de inegável talento e capacidade artístisca, era um poeta de mão cheia.
Não me obriguem a falar de gente reacionária que é caçadora do Lula, do Obama dos Kirchner, Evo, Chavez sempre achando motivos que busquem esculhambar o progresso voltado pras camadas populares de alguma forma. Pessoas que são plenas apoiadoras dos massacres no Iraque e no Afeganistão, favoráveis a pena de morte e sem um tiquinho de erudição. Pessoas incultas, nem um pouco letradas, zero de leitura e bagagem cultural. São tomadas de ódio e ganas de extermínio por tudo que seja negro ou pobre, não são conservadores e transcedem o trogloditismo proposto pelo reacionarismo, desconhecem obviamente o por que da própria burrice. No fim são gente que se levadas a sério se tornam perigosas de serem lidas ou escutadas, como símbolos dessa imbecilidade me vem na cabeça um sujeito como Bill O´Reilly e o lacaio dos Civita, Diogo Mainardi.
Convicções políticas e capacidade de se construir uma obra artística recheada de primeira grandeza nunca foram aliados. Aliás, insisto com gente cujo talento é supervalorizado justamente pode dever isso quem sabe as suas convicções políticas, Neruda é o caso que mais se destaca pra mim. É um bom poeta, de alguns versos lindos mas nunca um mito, pelo menos de caneta na mão.
Aliás e pra terminar, tamanha era a aversão de Bioy ao tema da política que quando recebia Cortázar para jantar ficava nervoso com os anseios de discutir polítca do convidado. Terminando, não ser profundamente ligado a política de maneira especifica não despolitiza a nada nem ninguém, simplesmente faz de alguém um sujeito que vive fora do ciclo de discussão estabelecido pelas organizações oficiais da política. Apolítico, nunca, não existe.
Cesare Battisti, Carta Aberta de Silvio Tendler Ao Ministro Tarso Genro e Petição Online de Solidariedade Contra A Extradição.
Vou ser incrivelmente breve. Como nunca me foi de costume. Essa que segue, é a carta escrita pelo cineasta Silvio Tendler ao Ministro da Justiça, Tarso Genro no que diz respeito a justa posição do governo do governo brasileiro no acolhimento a Cesare Battisti. Não se pode extraditar alguém que foi condenado sem julgamento, argumentos mais numerosos e contundentes são devidamente expostos na carta e na petição.
Abaixo a carta que é do ano passado, 16/12/08. Depois, a petição online ( com link ) de solidariedade contra a extradição de Battisti.
Carta aberta do cineasta Sílvio Tendler ao Ministro Tarso Genro
Rio de Janeiro, 16 de dezembro de 2008.
Ao Exmo. Sr. Ministro da Justiça Tarso Genro
Ilustre Ministro:
Venho tomar dois minutos de seu precioso tempo que poderão salvar uma vida. Quis o destino que recaísse em seus ombros a decisão que pode salvar o escritor Cesare Battisti dos cárceres italianos.
Não se trata, prezado Ministro, de eludir a lei, mas, sim, de impedir a vingança. Pelo que tenho lido, o processo contra Battisti é montado a partir de enormes falhas que podem punir um inocente para acobertar um culpado.
Lembro os terríveis precedentes de Olga Benário e Elize Ewert, deportadas para um campo de concentração. O final da história, o Sr. conhece bem.
Aliás, amparado pela cidadania, o banqueiro Cacciolla viveu livremente na doce Itália depois do rombo que deixou em nossa economia e pelo qual foi condenado no Brasil, onde cumpre pena. Não foi deportado pela Itália, que ao contrário, lhe protegeu.
Quer a lei que o Sr., em nome do humanitarismo de nosso povo acolhedor, possa decidir pela permanência de Battisti entre nós.
Lembro que temos uma tradição e que já concedemos asilo até mesmo a Georges Bidault, ex-ministro francês envolvido em atentado contra o Presidente Charles De Gaulle e contra a independência da Argélia. Bidault foi aqui acolhido por razões humanitárias pelo Presidente JK. Não vejo porquê um jovem revolucionário que converteu-se em escritor não possa ser salvo pelo Sr., com um gesto de grandeza.
Quantos brasileiros foram, um dia, acolhidos no exterior, salvos das garras de uma ditadura sanguinária que os alcunhava de “terroristas”?
Lembre-se de Olga, Elize Ewert, o casal Rosemberg e de tantas injustiças cometidas em nome das leis. Lembre-se dos dez de Hollywood.
Lembre-se do Caso Dreyfuss e seja Emile Zola. Repudie Felinto Muller, exerça seu Ministério com grandeza e permita que o escritor Cesare Battisti permaneça entre nós.
Atenciosamente,
Silvio Tendler
Cineasta
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http://www.petitiononline.com/cesare07/petition.html
To: Superior Tribunal Federal
ABAIXO ASSINADO DE SOLIDARIEDADE E CONTRA A EXTRADIÇÃO DE CESARE BATTISTI
Nós abaixo assinados nos solidarizamos com o militante político, poeta e escritor Cesare Battisti, preso pela policia Federal em 18 de Março de 2007, no Rio de Janeiro.
Nosso país, sendo regido pela democracia, deve se ater a que a prisão de Cesare Battisti segue na contramão dos preceitos jurídicos que orientam o espírito do Estado Democrático de Direito e os ideais dos direitos fundamentais e humanos, elementos constitutivos da preservação da vida e da dignidade humana.
CESARE BATTISTI é militante de esquerda e participou ativamente dos embates políticos e ideológicos no contexto de guerra fria que permeava o mundo bipolar dos anos 70, tendo sido condenado a revelia em seu país, num procedimento jurídico questionado e rejeitado pela Corte Européia de Direitos Humanos. Ressaltamos que a suspeita que lhe é recaída é inconsistente do ponto de vista jurídico, principalmente decorrente dos anos 70, num tempo onde o mundo foi marcado pelo acirrado conflito ideológico.
Por fim, entendemos que o que requeremos é justo e encontra ressonância e total amparo político e jurídico na nossa Carta Magna que de forma imperativa, declara no inciso LII do artigo 5º da Constituição Brasileira, a não extradição de estrangeiro domiciliado em nosso território, por questão política e ideológica em seu país de origem. – as leis brasileiras não reconhecem sentenças proferidas sem a presença do réu, o que aconteceu com Battisti que se encontrava como asilado político na França à época.
Nestes termos subscrevemos este documento e exigimos sua imediata soltura e arquivamento do processo movido contra ele.
Sincerely,
Igualdade Não É Geometria
Pequeno recorrido histórico da filha da putice opressora brasileira.
1500 chegam os portugueses, pra encurtar as obra, na base do catequiza ou mata começam a caçar os índios. Grandes meliantes da história brasileira como o Padre Anchieta, pela gangue cristã, armado de encíclias papais que datavam de 1454, do igualmente meliante Papa Nicolau V. Assim como se falamos de meliantes, esquecer de um carniceiro posterior ao começo da colonização, Domingos Jorge Velho, seria muita injustiça. Eles jogavam os índios uns contra os outros, matavam os insurgentes ou os que julgavam inúteis como escravos e os que sobravam catequizavam, catequizados muitos índios se matavam já que os valores incutidos pelo cristianismo não faziam parte da natureza deles. Não entendiam como um Deus poderia ser tão ruim a ponto de jogar alguém no inferno. Esses índios foram exterminados, os que sobraram vivem em raras e escassas reservas. O que se encontra de herança indígena viva no cotidiano brasileiro é mero traço de feição facial, advém do fato da mãe índia, do ventre da mulher índigena, ter sido o ventre do Brasil no começo de sua formação. Usados como mão de obra escrava portuguesa, lhes retiram o direito a serem humanos, foram afastados da sua cultura e tiveram sua terra roubada. Ainda, alguns dos que conseguiram segurar-se vivos por um tempinho mais morreram sem entender rigorosamente nada sobre o que aquele homem, feio, fedorento e barbudo veio fazer aqui, escravizar e ensinar que essa escravização era a salvação de sua alma. Não contentes com exterminar diretamente, as pestes que traziam consigo foram outro fator dominante de extermínio da população indígena.
Chega 1538 e os escravos africanos são trazidos pra cá. Do mesmo jeito que fez com os índios, a idéia de uso ( os negros desde já eram vistos como coisas, só dignas de uso, pra uma compreensão posterior isso é fundamental ) dos negros era cruel e igualmente aviltante. Gastar, enxugar, até não ter mais de onde tirar. A diferença é que o negro resistiu, geneticamente resiste pelo fato de já na África conviver com o homem branco europeu e sua predisposição a pestilência. Resiste também por que se arma e organiza nos Quilombos. Os Quilombos, sempre compreendidos como um feito de resistência cujo fundo e matriz impulsora era racial, na verdade era um mecanismo de defesa de classe, muito pouco importava ao colonizador se ali tinha um negro ou não, lhe importava que ali estava um escravo e por isso deveria ser abatido e contido. O negro também é quem difunde o português no Brasil, se deram o trabalhar de aprendê-lo, os índios falavam em seus idiomas e muitos portugueses, holandeses e franceses igualmente seguiam os índios nesse aspecto. Também, foram massa de manobra patrocinada por franceses e holandeses em uma segunda tentativa de correrem com os portugueses da colônia mais valiosa do mundo até então. Segunda vez pois na primeira, vencendo guerras no Maranhão e quase expulsando os portugueses de São Paulo, o contigente indígena só caiu em 1567 na Batalha do Rio de Janeiro. Foi uma queda sangrenta que proporcionou inclusive uma paz temporária com o dominador.
Esse mesmo negro que é cogitada sua liberdade quando chega o Impéro Português, com toda sua estrutura burocrática representada por seus melhor quadros, mais grandes artistas e intelectuais que viviam a volta da corte, todos fugindo de Napoleão, trouxeram inegável melhora ao meio intelectual brasileiro, que antes era essencialmente catequisante, praticamente inexistia. A liberdade aos negros foi só cogitada, se chega depois a conclusão que não existiam condições de toda aquela gente mantida como escrava desde 1538 não conseguiria constituir um mercado consumidor. Sim a preocupação era essa. A classe dominante brasileira se demonstra assim, todo aquele que não é dos seus tem por cumprir papéis meramente utilitários.
O comportamento duas caras do senhor da casa grande, muitíssimo bem retratado por Gilberto Freyre, de uma estupidez e brutalidade sem tamanho com seus empregados mas amabilíssimo com qualquer que tivesse uma fazenda maior ou que fosse um colega de classe. Com a chegada da Lei do Ventre Livre ( 1871 ) libertava ( abandonava a própria sorte ) os filhos das escravas, se alojam nos lugares das cidades então vazios e que os brancos não queriam, é o início das favelas.
A miscogenia põe em cena a figura do pardo, no Brasil se pobre tratado como negro e se com alguma ascenção social considerado branco. É o racismo assimilacionista, que para aceitar nega a raça de quem economicamente é bem sucedido, minimamente que seja. Esse tipo de racismo busca na verdade isolar os negros pobres e eliminar o sentimento de negritude. O negro bem sucedido como lembra Darcy Ribeiro, também é tomado pelo racismo e é preconceituso com o ” negro-massa “. Desde já existia o repelente conceito de que quem é pobre o é por ser vagabundo e não tem disposição pra trabalhar.
É também tolhida e sempre se tenta abafar qualquer expressão de afirmação racial. A questão racial no Brasil se encontra intimamente atrelada a social.
Leve-se em conta agora um dado já, conhecido, que é determinante para jogar a maioria dos negros em sabida e notória condição de desigualdade e abandonados pela classe dominante que controla o país, queriam os negros longe e regurgitando na própria miséria. Foram libertos como escravos nem há 120 anos, uma massa negra foi jogada a própria sorte, abandonados, sem chance nem de ter chance e de acordo com quem tem o poder assim devem seguir.
A afirmativa do título do texto pede esse recorrido anterior todo pra que seja bastante claro uma que outra coisa, entre elas: Desde que chegou aqui, a atual classe dominante trata as camadas originais desse povo como laranja, vai usando até chegar no bagaço. Fez assim com os índios e faz assim pra enjaular a grossa maioria do contigente negro nas favelas. Se algum dos ” bagaçáveis ” ascender, lhe é negada sua condição racial imediatamente. Sendo excluído, abandonado e tal exclusão e abandono sendo consequência da natureza e do ideal de sociedade de quem detém o poder e assim, interessados em que isso siga, são postos todos os pobres, depois da abolição da escravatura já há um contigente de pardos e brancos pobres igualmente postos em condição de mais atraso ainda. Nunca esqueçamos ser o contigente negro consideravelmente maior entre a massa pobre. O branco pobre é discriminado e excluído o negro pobre é igualmente discriminado e excluído, mas é vítima de racismo.
Posteriormente vítimas de uma desculpa de instituição educacional, meramente simbólica e pra inglês ver, consequência desse mesmo descaso que os atirou a tal miséria. Na instituição que é a gênese da formação do cidadão, aqui onde deve-se desenvolver é desistimulado. A evasão escolar e tudo o que acarreta tem como consequência, por exemplo, posteriores envolvimentos com a violência, não são dadas opções, muitas vezes a única saída que lhes é oferecida. Muita atenção, MUITAS VEZES, muitas vezes não é sempre. Mas muitas vezes quer dizer, quem vive excluído é convidado de maneira muito canalha e covarde pra tanto.
Como se pode, tendo em visto todo esse histórico pedir igualdade pronta e imediata em oportunidades no sistema educacional? Alguns por cara dura no interesse da defesa e manutenção de seu poder corrupto e outros por ignorância invocam a constituição, ambos com tamanha intimidade que pensam ter com a Carta Magna, que quando a encaram de frente fazem uso de garfo e faca. Cagam boca afora artigos como se fossem parte de uma solução pra um problema aritmético. Se agarram no saco do artigo 5º e seus mais de 70 incisos e enxergam ali a tal da igualdade pra todos, mas como leigos no assunto e em temas constitucionais não sabem a premissa mais básica dessa frase. Tratar os iguais de acordo com sua desigualdade, já que ninguém é rigorosamente igual a ninguém. Grupos de pessoas segregadas e excluídas muito menos. Igualdade, de acordo com aquilo que é vociferado de forma tão raivosa, aqui os ignorantes do assunto e os racistas/usurpadores da grana de quem tem menos pra seguir com mais, babam e cagam boca afora igual. Desconhecem o preceito Tomista-Aristotélico de igualdade, no qual se funda a parte dos Direitos Fundamentais da Constituição Brasileira. Desconhecem e como não estudam Ciência Jurídica e Social tampouco tem obrigação de saber, gritar de maneira ignorante, quando simplesmente se tem ignorância é equivocado materialmente, não moralmente.
Igualdade não é geometria pelo simples fato que não é possível, não se deve, é desumanizar o trato. Conceder o mesmo tratamento pra quem teve chances e é dono do sistema e equânimemente tratar quem historicamente tem chances negadas contra si desde que nasceu. A falta de tolerância, encontrada também na classe média, que cada vez mais sonha em ser dominante. Repete padrões de comportamento dos seus ídolos, os ricos. Quer ser dominante, mas nunca será ( então segue chupando suas bolas em todo santo canto pro qual o Patrão mandar ). O que essa classe dominante faz me emputece e me dá asco, profundo.
Por fim, crer em Democracia, sem Democracia Racial é como deixei bem claro que me parece muitíssimo mais que somente um equívoco, é desumano.
PS: Tanto a gritaria sobre as cotas raciais tem um notório fundo racista, que não fazem nem 30 anos que a Lei do Boi, que dava A METADE das vagas nas universidades pra filhos de pecuaristas não existe mais e a grossa maioria das pessoas nem sabe que ela existiu. Nem nunca saberá aqui a elite era favorecida.
Shopping Center
Eu gosto de mudanças, mas não suporto apressamento e desespero. Desespero de se condensar tudo em uma coisa só.
Foi-se o tempo, que eu não vivi, no qual as partes centrais da cidades eram largas, esparramadas e a céu aberto. Lá, no Centro ou ainda na Cidade, se encontrava tudo e todos era um lugar de inclusão social também. Se dizia Centro, pois se tratava do centro literal da cidade, o ponto de ebulição do lugar. Com a passagem apressada e desesperada que o capital e a sociedade de consumo socam garganta adentro dos hábitos e do tempo, esse centro se marginalizou, foi desmontado, antes ponto de encontro entre todas as classes hoje um gueto.
Perdendo lugar de concentração, de local principal da cidade, justamente pro Shopping Center. Simplórios, fáceis, rápidos, armados de guarda pra espantar quem não quer comprar nada, encaixotados e agora o ponto grosso de fluxo de gente. Os quase finados centros antigos hoje são relegados a um papel de mero aglutinador de gente pobre, com praças que hoje são casas de quem não tem casa.
O Shopping é o catalizador deste movimento e encontro de gente, é pela sua natureza, excludente. Tudo está no Shopping, de supermercados a livrarias, lojas de sapato, academias, cinemas. Existe para consumir. Como agente excludente, que busca afugentar os pobres, tem até uma ” estética do conusmo ” na sua projeção arquitetônica. Lá, tudo é mercadoria, não existe coisa que não esteja a venda ou pronta pra ser comprada em um Shopping Center, diferente do Centro que aglutinava as pessoas através de outros tantos atrativos como ” Vou ao Centro, lá sempre acho um amigo, todo mundo ta lá “.
O Shopping é feito para consumidores, toda a estética de mercado,( como insiste a ensaista argentina Beatriz Sarlo, grande estudiosa sobre esse assunto, a melhor ) desde a maneira como tudo está colocado exatamente sempre no mesmo lugar, buscando atrair compradores. Que se note, o Shopping hoje é quase uma Dimensão Mundial Paralela em Comum. São iguais em Jacarta, Porto Alegre, Rio de Janeiro e Paris. Pasteurizador dos hábitos, se preocupa com que lá dentro existam consumidores, direitos de consumidor não de cidadão, lá se vai pra comprar e mais nada.
Essa unidade estética do Shopping Center faz com que um Malaio, se perdido no Cudomundistão se quiser sentir minimamente a vontade, possa recorrer a um Shopping Center, terá uma sensação de conforto, identificação. Se trata de um lugar idêntico aquele já existente de onde veio, o número de turistas num Shopping me assusta, lá ele encontra mais sinais da pasteurização do convívio humano contemporâneo, sempre vai dar de cara com um McDonalds, Adidas, Fiorucci.
Os excluídos, compelidos a consumir com o dinheiro que simplesmente não tem, são vítimas de um truque sujo demais. Como não podem comprar nada, pelo menos estão fisicamente presentes no Novo Centro. Podem ser vistos e se misturarem na paisagem a classe média e alguns pouco mais abastados, porém não consomem. Existe aí, uma muito baixa e desalmada espécie de inclusão.
Estes novos centros do consumo também remodelam os hábitos de locomoção e até extendem ou encurtam a geografia de uma cidade. Aqui em Porto Alegre se fez um Shopping em uma região ingrata de se ir, longe de tudo, nunca foi hábito muita gente ir até esse local, até que se fez este Shopping Center. Inclusive a filial aqui tem o mesmo nome do original carioca Barra Shopping. Nem nisso existe raciocínio? Barra Shopping fora do Rio de Janeiro me parece o nome de um lugar pra gente deprimida ou levantadora de peso.
Antes eram raros os ônibus que passavam por toda cidade e chegavam na região do Shopping novo, aliás raros não, inexistiam. O ônibus que passa pra lá, só pode ( por enquanto ) chegar no lugar passando no meio da Vila Cruzeiro, um lugar perigoso demais na cidade.
Novo local de aglomeração da classe média que não se dá conta, o Shopping caga pilhas pra pessoas e é um sujeito aparte da cidade ( tendo em vista que se coloca onde for, não se dá o trabalho de ficar em regiões tradicionalmente aglutinadoras de gente ) . Ele não se importa com a cidade. Bem verdade que daqui por diante, essa região onde está o Shopping Center novo se torna rapidinho um ponto vivo na geografia da cidade.
Fechados, iguais, sem imaginação, destinados ao consumo e nada mais, que raiz histórica tem um Shopping Center? A incrível epopéia da liquidação das Surf Shop em 2001? O Shopping é vazio. Insisto por fim, nesse novo centrão de consumo, se reflete a privatização da vida que o mercado logrou sobre nossas vidas e sobre nossos direitos de cidadãos, mais que qualquer outra coisa, é uma vitória do privado sobre o público.
Acústico Senac TV Karl Marx
Fruto de muita pesquisa e jogo do copo conseguimos o primeiro Acústico, que nem tinha esse nome na época, Carlitos fez um recital histórico.
Marx já previa o conceito de artista convidado em disco ao vivo. Inevitável tocar com Engels, se hoje um convidado toca só uma música e sai fora Carlitos não se mixou ( tradução do gauchês: Não Se Encolheu ) tocaram 4 músicas juntos.
Com Bakunin, o registro desta placa discográfica teve a felicidade de acontecer enquanto os dois ainda estavam amigados…. tocaram uma versão elétrica, e leve-se em conta que a eletricidade na época era um fedelho, uma das que tocaram juntos foi A Gente É Sustentado Sim E Daí? . Depois disso o evento terminou, Baku-Boy tinha uma bomba debaixo do paletó e jogou no meio da platéia encerrando os trabalhos.
Set List
1 Transição Gradual Para A Segunda Música
2 Sexo Anal No Cu Do Capital
3 Sobre A Questão Judaica Grundrisse: Cristo, Eu, Einstein e Freud, quem é o Povo Escolhido então?
4 Tu Me Sustenta Mas Eu Sou Foda com Friedrich Engels
5 Eu Te Sustento Mas Tu É Foda com Friedrich Engels
6 Das Kapital ( Instrumental ) com Friedrich Engels
7 Cala A Boca E Manda O Dinheiro com Friedrich Engels
8 1929, 2008 Eu Avisei… com Karl Katusky
9 Mais Valia Um Engels Na Mão Que Um Lafargue Voando
10 Eu Que Inventei Essa Porra Toda
11 Das Kapital
12 Eu Com Hemorróida e Tu Um Sifilítico com Bakunin
13 A Gente É Sustentado Sim E Daí? Com Bakunin
PS: Engels era tudo, menos um mangolão, ok?
