Mas até 3.0

Com Licença… Vou Peidar E Já Volto.

Publicado em Reflexão por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Novembro 22, 2009

Lugares com gente de opiniões distintas costumam ser os melhores pra se conviver, o conflito tem uma capacidade de harmonizar e humanizar quem vive nesse ambiente que é bastante menosprezada.

Agora pra realidade já que o conflito morreu, a primeira baixa, como se pode pedir enfrentamento de idéias quando todas as opiniões estão uniformizadas?

A bundamolização em série dos convivas todos e a pasteurização das maneiras de agir, ( tentar ) pensar, o moralismo patologicamente exarcebado, além de um prazer doentio em pensar no nível mais baixo e achar que o desafio de olhar mais além do próprio limite é loucura, não chateia e nem pede indignação mais, impõe isolamento urgente.

Aqui se vai falando em uma loucura considerada e imaginada pela portentosa e gloriosa maioria como se fosse demente, de quem bate com a cabeça na parede por gosto e vive sujando as pampers todo dia e toda hora.Inexiste possibilidade de felicidade ou normalidade que não as conhecidas por eles. Não fazem por maldade, simplesmente a cabeça deles não chega lá. A falta de compreensão sobre como as escolhas deles não são religiosamente definitivas assombra.

O grau de asco que alguém pode gerar começa na sua própria diferença em relação aos demais, sempre hegemônicos em maioria e hábitos, a tolerância é triste com essa diferença, ou viram freaks ou devem ter a sorte de estarem com um coelho na cartola e conseguir manter uma distância civilizada.

Essa transformação das pessoas e dos seus hábitos em coisas, descartáveis e seus hábitos concorrentes dos hábitos alheios com uma facilidade tremenda tira qualquer capacidade de busca pelo conflito. Argumentação rasa e poucas diferenças fazem um debate entre dois mudos, de mãos atadas, parecer mais interessante.

A transformação de hábitos culturais em hábitos de consumo além de nivelar tudo a uma baixeza que só é grande quando é baixa, congela qualquer possibilidade de progresso que qualquer um possa ter por iniciativa própria. Imposições dos meios de comunicação sobre como proceder e ser em tudo e o pior, hábitos de perpetuação dessa forma de ser já estão devidamente engendrados e prontos pro consumo do próximo produto disfarçado de idéia seguinte que incita igualmente a burrice, o preconceito e a falta de iniciativa intelectual.

Desistimula e muito conviver com uma juventude reacionária, homofóbica, racista, inculta e pior, ver no nervo por que cada um deles é o cachorrinho de quem quer que esteja com o chicote na mão. Não sei se é pior ver alguém podre ou é ver como e o que torna essa pessoa assim.

A contradição de hoje comer merda e ontem considerar isso a última coisa a ser feita, invocando até questões de princípios éticos pra sustentar a então convicção já beiram o rídiculo.

Gente sem capacidade pra formar uma frase querendo justificar suas escolhas? Eles não escolhem, só excluem e baseados nos preceitos mais imbecis que tem na matriz do raciocínio a aniquilação do diferente. Premissas das quais não fazem a menor idéia da existência ou do que se trata, não se faz idéia daquilo que é ( ou deveria ser ) o motivo das suas crenças, seguramente em algum shopping center se encontram esses valores.

Mais do que nunca as decisões se tomam simplesmente por que devem ser tomadas de forma na qual a pessoa seja coisificada e sempre, sem motivo nem razão, simplesmente tomadas, se a tv diz que é bom é bom e o meu amigo comprou um chapéu do Philip Marlowe, é por que eu nem sei quem é o Marlowe, mas a roupa dele é legal, meus amigos compraram numa loja ótima de marca que vai dar status comprar deles, não fazem nada mas são ótimos em copiar.

Ainda por cima a minha amiga ouviu no telejornal que agora todo mundo deve se vestir e ser como a Paris Hilton ( sim de Raymond Chandler até o deep bottom da coluna social rota hollywoodense ) disse? Então tá dito, então é isso aí mesmo. Tanta bomba de bosta caindo só dá vontade é de pegar o crachá de visitante e não me meter mais nisso.

A Unanimidade Não É Humana

Publicado em Futebol, Reflexão por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Setembro 18, 2009

Conhecida como Obrinha Rodriguiana a gloriosa frase: ” Toda unanimidade é burra “… é aplicada totalmente fora do contexto original. Meia dúzia de gatos pingados já buscaram saber de onde e qual o contexto em que a frase se pariu, levando em conta que todo o resto do reino animal somente a usa como um lugar comum vazio mais que qualquer outra coisa.

Começa aqui. Brasil e Inglaterra, Maracanã cheio, não pôde jogar de última hora o Garrincha e jogou no lugar Julio Botelho. Julinho foi vaiado do começo ao fim. Jogou pra caralho, comeu a bola e pediu pra casar isso era 1956/1957. Um cara vaiado por todos foi o melhor em campo, Nelson no dia segunte ao jogo tinha essa frase solta, não sabe como foram usar como quem transformou, toda unanimidade é burra, em uma frase tão fora de lugar.

Depois, com mais calma, tem mais de pilhas de textos na obra solta sobre a unanimidade, na qual se aprofunda nela de maneiras bem interessantes e dignas de alguém com o talento e capacidade de abordagem sobre o assunto que ele tinha, não se pode esquecer que Nelson era quase cego e não via futebol. Descrevia um jogo melhor que qualquer outro, muitas vezes um jogo que não acontecia mas era brilhante e muito melhor que o que tinha acontecido.

Agora digo eu, se trata da unanimidade um comportamento desumano, não é possível que um fato posto a frente de diversas pessoas com pensamentos, realidades e vivências distintas seja visto em uma única forma da mesma maneira.

Ao contrário da gigantesca bobagem, essa inventada por algum imbecil que eu desconheço: Somos iguais em tudo que somos diferentes. A verdade é que a diferença se trata de um construtor, um elemento conflitivo que legitima opiniões de maneira que só ela pode fazer. Uma decisão, uma opinião jamais é a mesma depois de ser questionada, ela precisa ser questionada caso contrário o único parâmetro de validade que tem é ela mesmo.

Quando há convergência plena, se torna unanime uma idéia em torno de qualquer coisa me bate um cagaço, sensação de que alguma coisa está errada, não é possível muita gente com tantas outras que tem tanta coisa diferente entre si tenham uma opinião matematicamente igual sobre qualquer assunto.

Também me incomoda já que uma concordância plena sobre seja lá o que for remete a uma relação muito promíscua com o acomodamento.

Sendo tão absoluta, a unanimidade paralisa o diálogo não permite nem a miníma possibilidade de contraditório, de confronto, idéias que se chocam e só assim tem como conseguir autonomia, com a aceitação da unanimidade acabam deixando um rastro de conformismo e cegueira dignas de um Reich, visto a concordância integral como uma concordância sobre suas idéia e convicções dadas de mão beijada a uma corrente de expressão totalitária.

Sem conflito nada se constrói, não existe idéia sem exposição ao conflito que por fim mostra acertos e erros em sua construção, tudo que é minimamente humano não guarda nada de absoluto.

A plenitude nas relações humanas são impossíveis ou doentias. Convívio com possibilidades absolutas podem acabar acontecendo  gerando coisa grave, uma matriz de pensamento, uma decisão imposta e metida garganta abaixo.

Somos vítimas dessa violência já, o medo do conflito saudável cresce cada vez mais, há um consenso que divergência é soco na cara, pessoas de gostos e posicionamentos diferentes dizem muitos que não devem andar juntas, justo por isso não são iguais. Bonitinho é concordar sem pensar e nunca deixar a tropa. O processo de Bundamolização anda, manda e como.

Feinmann Sobre Sartre

Publicado em Filosofia, Política, Psicologia, Reflexão, Sociologia, Video por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Agosto 20, 2009

Me anda faltando tempo pra escrever, mas ( eu até já me perdi sobre o que eu já escrevi ou não, apesar de ainda ter muita besteira falar ) eu tava zanzando no Youtube e… me parece Feinmann, José Pablo que é um filósofo argentino, também escritor, nos anos 70 muito ligado ao Peronismo e aos Montoneros.

Dessa ligação com os Montoneros em especial, escreveu um livro no qual ficciona em cima do fato que tornaram os Montoneros célebres, chamado Timote (  http://www.libreriapaidos.com/libros/0/950492009.asp ).

Feinmann é um sujeito vasto de cultura, perspicaz pra cacete e aqui pega o sequestro e posterior assassinato do açougueiro, general e ex presidente da Argentina Pedro Eugenio Aramburu e analisa os aspectos mais importantes, decisivos da psicologia católica Montonera ao fim dando protagonismo ao nem 5 meses depois morto Fernando Abal Medina, uma figura meio Dostoievskiana, que até certo ponto foi.

O negócio todo, pra encurtar só a história do sequestro é o seguinte, foram os Montoneros uma organização civil, de oposição ferrenha a todo processo histórico que culminou nos 5 golpes de estado ocorridos no país entre 1930 e 1976 e as forças econômicas e políticas benfeficiadas por tanto.

Contavam com mais de 1 milhão de membros, entre registrados e não. Ao sequestrar um filho da puta como o Aramburu, responsável pelo Massacre Da Praça de Maio que matou um número de pessoas que até hoje segue incontável, e há de se jogar isso tudo no seu tempo e circunstância histórica, a atitude perante Aramburu foi corretíssima. Terminou dando pro forro o final que teve e mereceu.

Agora… Feinmann hoje, roteirista de teatro, cinema, articulista e ensaista de política, publicando e com consistência e uma qualidade gigantesca fez uma série de programas, micro programas de tv no qual coloca todo esse manancial ( mazá! ) essa monstruosidade de coisas que passa pela cabeça dele e que consegue jogar pra fora em tantas formas.

Nesse caso, pegou essa frase do Sartre que honestamente, não sendo a mais genial da história merece um grito de gol depois que é dita.

Cada homem é aquilo que faz com o que fizeram dele.

Depois dessa, o vídeo abaixo explica tudo. No qual Feinmann fala disso e um pouco mais.

Killboard Ensina… Motivos Pra Se Odiar Sarney

Publicado em Brasil, História, Killboard, Mídia, Política, Reflexão por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Agosto 15, 2009

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Quer coisa mais repelente quando a gente fica achando uma coisa sem sequer ter a mínima idéia do que se trata. De verdade, quer gargantear contra o Sarney? Garganteia, ele merece, mas pelos motivos elencados abaixo que são escondidos de tanta gente, na verdade esses são alguns levantar a ficha de um criminoso desse é tarefa pra fazer o primeiro post que duraria dias, não letras ou frases e parágrafos.

Tem gente demais cuja opinião é concebida pelo meio de comunicação que acompanha, meninada quando forem bater em quem merece como no caso, batam com a mão de vocês, não a do Jornal Nacional, ZH, Folha, Estado, Globo… é horrível quando alguém abre a boca e já sabe qual noticiário vai ouvir da boca do interlocutor, pior, pra falar de nepotismo como quem fala em nazismo.

Fazendo assim, o plano de defesa do ex presidente funciona, ele tá sendo atacando com chumbo minímo, muitos dos que pedem a saída dele sendo usados pela mídia e não usando seu direito de pensar e aí sim enfiando chumbo grosso, estão jogando ( sem saber ) merda no ventilador virado pro lado errado.

Esse tio é bandido profissional e se cria uma comoção desproporcional nele por fundação, e o cacete? Vocês tem idéia da ficha desse sujeito?

E o Arthur Virgílio? Que vendeu bens da mulher pra um funcionário fantasma? E se a gente resolvesse abrir a Caixa de Pingola? Sim, Pingola, dos últimos 14 anos de administração do Senado não escapava nem formiga, não ia sobrar um pra contar história do outro. Nada de absurdo seria abrir essa caixa se trata de um dever até, mas vamos aos motivos mais notórios pra se ter bronca dele, vamos.

José Sarney foi participante ativo da ditadura e em especial de seu período mais troglodita, assassino e destruidor do Estado, o período Medici pra começar e dar um motivo que já deveria servir pra esse odiozinho agarrado a clichês tontos dar uma engordada e com um argumento justo.

Desde antes de lá é amigo da cadeira, não das idéias de quem senta nela, ou alguém lembra de algum grosso arranca rabo do Sarney com o governo? Tal promiscuidade é recíproca, que se diga, Sarney tem uma tara correspondente por mandantes do executivo. Pulou feito um rato da Arena da ditadura pro PMDB de Tancredo Neves ( quem ajudou ao Rato Sarney e de fato o queria na vice ).

Tal forma ardilosa, hábil pra negociar e oportunista de se mover de um extremo a outro, essa capacidade muito bem dotada de sempre ser amigo do poder é marca registrada. Ele era da Arena, foi Governador/Interventor do Maranhão durante a ditadura e então o primeiro civil presidente da república depois do período militar-ditatorial, pelo partido que ele passou mais de 25 anos da vida dele enfrentando como uma espécie de nêmesis.

Esse talento pra negociar e oferecer possibilidades, que se diga, é uma síntese do que é ser brasileiro. Se negocia sempre qualquer situação sempre evitando o conflito, é a natureza do brasileiro, negociar até além da exaustão e evitar o confronto. Sarney representa essa característica brasileira como poucos, se constituiu assim.

Obviamente, essa característica não é um indicativo ou medidor de tramóias, nem uma tendência de um povo a tanto, esse assunto ( característiscas do povo brasileiro ) sobre o qual eu se ainda não escrevi, um dia escrevo.

Outro motivo, é um cerceador de liberdades no Maranhão do qual é dono e inventou o Amapá já que não podia mais se eleger pelo seu brinquedinho número 1, o Maranhão. O que se passa no Maranhão e no Amapá é grave demais, quem não segue a lei deles – Família Sarney, cujo capo é o ex presidente – o sujeito é dono de um lugar e mantém sua propriedade mediante todo sorte de coisas muito piores que o namorado da neta.

Tá afim de berrar Fora Sarney? Que lindo, de verdade, mas não se esqueçam por favor: Gritem pelos motivos certos.

Essa chinelagem denuncista feita pela imprensa, que conseguiu parir cyber imbecis aos montes pra irem dar uma voadora no peito do presidente do legislativo nos remeteria a pegar gente como Sarney pelos atos secretos? Porra, esse cara foi parte de uma das maiores tragédias da vida desse país que foi a ditadura, ele é um opressor, honestamente pegando uma desgraça que ele nos impôs… o Plano Cruzado foi mera falta de talento lotado de boas intenções?

Por favor… estamos cara a cara com um bandido e fazendo um escândalo em cima de uma cagada que faz a rotina de corrupção desse sujeito, que devia ser posta a vista, uma brincadeira de criança.

Agora… por que será que a rádio não toca, tv não fala e o jornal não escreve? Por que eles são cúmplices, assim como hoje batem no Marimbondo de Fogo, amanhã esquecem de tudo já que são financiados por gente como ele.

Como muitos tantos outros, Sarney e a imprensa já sentaram na mesa com Geisel, Medici, Figueiredo, Collor, FH, Itamar, Lula e com a mesma cabecinha baixa de sempre. A imprensa esconde o que fede e eles, mandantes, dividem o dinheiro da propaganda entre aquilo que ainda tem a cara dura de se chamar imprensa. Ela só manipula e propagandeia não existe mais atividade midiatica de massa.

E o mais triste, lá vai o coro de quem como diz Fora Sarney, poderia estar dizendo Fora… Dentro ou mesmo se fossem instruídos pelos interesses já citados,Viva Sarney…  Sarney é uma página muito da podre na história brasileira, um Coroné que age como se vivesse no Século 19 que foi um dos demolidores do Brasil no 20 de 64 pra cá.

Resistiu e vive no século 21…  é pelo namorado da neta, parentada empregada que ele deve ser reconhecido como figura de quinta? E o Maranhão, esse homem vilependia o Maranhão até hoje. Ser parte de governos assassinos e opressores? Ter tido o seu próprio governo e um governo de merda que atrasou o país mais que o governo Collor por exemplo.

Isso tudo tava aí, ele já merece esse bafo na nuca desde uns 30,35 anos no mínimo, por que só agora? Por que os mesmos que reclamam da maneira mais histérica são sempre os mais mal informados?

Tudo isso antes do Agaciel cair, aliás sabem os novos moralistas quem é o Agaciel de primeira?

É muita gente manipulada, muita mesmo.

Juan José ” Yaya ” Sebrelli

Publicado em História, Política, Reflexão, Sociologia por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Agosto 7, 2009

Juan José Sebrelli andou por Porto Alegre. Figura interessante, já foi um intelectual de respeito na Argentina, fez o exatíssimo caminho que tantos sujeitos com tanto a prôpor fizeram. Virou a casaca.

Guarda uma diferença entre toda esse gente que mudou da água pro vinho, a mudança de Sebrelli é genuína, não mudou de idéia por nenhum desvio de caráter. Não se vendeu, se tornou incompreensível é verdade, suas convicções sempre foram fortes como sua personalidade e gente de personalidade forte, opinião forte via de regra é mais afeita a estes tipos de mudanças. Yaya Sebrelli hoje é tão direitista quanto qualquer quadro anti-Kirchner ou ainda pra nacionalizar a coisa quanto qualquer pepista tucano, demo.

Yaya Sebrelli

Yaya Sebrelli

Hoje é um conhecido símbolo da direita, coisa que não lhe impede de demonstrar talento. Aliás esse é um fato duro de engolir entre gente da esquerda, reconhecer refinamento intelectual na direita. Impôr a pecha de burro e troglodita na direita e seu pensamento é das grandes vitórias que a esquerda logrou sobre o outro lado.

Mas trocando em miúdos, do Sebrelli que se via com a UCR mais que com o Peronismo na luta contra a Opressão Militar que com todos seus problemas internos começo em 1930 ( 76 houve uma totalização do aparelho do Estado pelo exército ), até culminar na corajosa atitude de 1971 que organizou a primeira liga que visava os direitos civis plenos e a inserção dos homossexuais na Argentina, que escreveu a maior ode contra o futebol em muito tempo, talvez a maior e mais bem justificada perante si mesmo.

Pois, hoje esté é um  senhor tão Gorilla quanto aqueles que antes se opunha. Não é demais dizer que sim e traidor da própria biografia. Hoje mais se preocupa em pisar e cuspir no que já creu com teorias de uma fúria digna de uma velha lavadeira. Piorou tudo mais ainda quando defendeu as idéias privatizantes da abertura do Estado pro capital estrangeiro, gostava do Menem, cuspiu nos Montoneros quando o mínimo de respaldo precisavam. Não falo das contra ofensivas desvairadas boladas por Mario Firmenich no final dos anos 70.

Sugiro um livro dele chamado ” Critica de las ideas políticas argentinas “. No qual já faz uso da mesmíssima proposta de seu último livro, quando se propõe a ” derrubar ” enquanto mitos, e o próprio conceito de mito O Che, Gardel, Maradona e Evita.

Agora, um  texto de primeira categoria com uma idéia, um argumento bem e muito bem defendido, reduzindo um camarada talentoso… é Sebrelli, mas como ele faz pra construir essas idéias, como elas mudaram de uma maneira tão drástica o tornam um pouco circense.

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A Santíssima Trindade Do Ódio ( Parece Nome De Disco De Heavy Metal Goiano, Eu Sei )

Publicado em Reflexão por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Abril 15, 2009

Sabe que o incompreensível anda sendo… a falta de compreensão de muita gente perante situações desgastadas. Quando um não quer, o outro insiste. Até aqui uma obviedade. Agora, outra, deveria igualmente ser mas não é: Depois da insistência, acompanhada de fracasso, o que leva a nova insistência? Nada. O sujeito perdeu e ama se regurgitar na derrota.

Começam então tentativa de queima do filme alheio, nunca de frente claro, existe no Insistente da Causa Mais Que Perdida uma imaturidade na qual mesmo já metido em trâmites adultos da sua vida há mais de 3,4 décadas age com alguém em idade mirim/pré adolescente, onde este pobre infeliz sempre vai meter sempre inevitávelmente dar de frente com o fracasso, a derrota. E se portar como uma criancinha que quer expulsar a outra do parquinho. Triste também é perder no próprio jogo, acho que isso causa a insistência no camarada que busca se vingar do nada, quem vai pra cima com raiva já tem uma nuvem na frente do raciocínio, Michael Corleone, grande sábio do século passado disse isso, verdade. Pior ainda que como não pensa, existe uma reversão de expectativa que deve criar um ódio, uma raiva que dá pena até de pensar.

Longe de ser partidário de que rigorosamente tudo deve ser dito na cara, isso causaria incomodação demais… mas, por favor, as vezes tenho a impressão que o sujeito insistente em uma idéia fracassada é o membro paranóico da Al Qaeda que achava o ataque do 11/9 um fracasso, ele achava que antes deveria encarar o Osama de frente, se sente como um pau mole que caminha até hoje de tão brochante e frustrado que é. Pra ele eram 3 torres, então outro ataque deveria ser patrocinado pelo governo saudita com leniência de alguns setores do governo americano. Coisa que foi duríssima de conseguir e ainda, demolir as 2 torres foi um golpaço de sorte. E esse sujeito também não entendia que tinha se arrebentado.

Ainda, diferentemente da terra do MerdeWhite and Blue, não houve nem nunca exisitirão trativas pra que no fim se chegue a algo que, que todo mundo possa sair e dizer, fomos todos ” justiçados “.

Mas aqui fica a pulga na minha cabeça. Eu citei 3 situações que se intercalam, como uma das maiores invenções da história da humanidade ( o Espírito Santo ) e no fim relatam simplesmente que é bestificante como tem gente se alimentando de ódio em uma forma e quantidade preocupante. Que as instituições cagam pilhas pra isso, novidade não é. Por mais que recebam influência externa, elas estão inseridas num contexto que manda calar e consentir sempre, PROIBIDO SE INCOMODAR é o lema. Esse esquema é fomentado também por elas mesmo na qual o respaldo pro sujeito que seja o menos contestador e talvez o mais perigoso de longe pra ordem pública é considerado útil e bom cidadão, desde que mantenha sua boca fechada. Ou seja o pobre coitado que reclama quando furam com ele, sempre faz isso mas nunca por um motivo absurdo, só que vai contra a ordem, pois reclamou, teve essa cara dura. E aí fica como? Eu sei que se reclamo por mais incrível que pareça, começo com qualquer instância do poder do Estado de má vontade contra ( meu, teu, me ” euzifico pra generalizar ” ). Arranco perdendo de 1×0 na casa do rival.

Qual a próxima agora? Dentro de algum tempo essa estrutura fica mais podre, com gente mais incapaz, incapaz de péssimos servidores públicos que são, são incapazes naquilo que fazem. Fracassados. Além do mais, incapazes no sentido da sua capacidade intelectual, gente burra, resumindo o sistema é corrupto, truculento e burro. E tende a ficar mais, ou alguém aí não sabe onde treina a categoria de base dos quadros do Estado?

Se o futuro é nebuloso? Sim. O quão nebuloso, não dá pra saber, o exercício de maior crueldade que alguém pode fazer, é insinuar no lugar de ser concreto. Entenderam?

Muito obrigado a todo mundo em Banfield, outra vez a gente faz alguma vez de novo uma coisa daquelas.

1° de Abril, 1964

Publicado em América Latina, Brasil, Crime, EUA, Economia, Eleição, Política, Reflexão por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Abril 3, 2009

Atrasei um dia e nem vale dizer que é sacanagem só por que era o primeiro de abril. Sacanagem foi o que fizeram os conluíos do capital estrangeiro, de braço dado a política exterior dos EUA como uma criança pequena anda com o pai na rua. As vezes o papel se inverte, mas não é comum.  Os financiadores se travestem de seguranças e garantidores do processo de dominação seja política ou economica.

Os militares viabilizavam isso pelo continente latino americano todo, seja Strossner, Banzer, Pinochet, Massera- Viola- Videla. Dessa vez, pelo menos agora é oportuno que se lembre de Golbery que nunca foi chefe mandante mas fez seu estrago.

O Gênio da Raça como na época disse o Gláuber Rocha e ganhou pecha de maldito pela enésima vez na vida e dessa muita injustamente. Pra ganhar dignidade pública, pra recuperar moral público só depois daquilo que todo homem com a vida pública relevante termina fazendo. Morreu, as pessoas amam um corpo morto, o morto é um bicho muito do sábio.

A única grade herança da primeira e única matriz política brasileira, o Trabalhismo, com formação de bases eleitorais, porém não quadros, a inexistência dentro da Sociedade Civil Brasileira organismos que dessem respaldo a uma continuidade do regime democrático se fez ser vista.

Chegando na época em que foi presidente, Jango. Houve a construção de Brasília, cara, talvez até demais. Também não é menos verdade que a economia, pós Legalidade, em 61 ia mal. Mas se prometia uma cura com as reformas de base postas em ação. Era viável, plenamente.

Isso é muito bom de se notar, eleitores em base eleitoral sim, ptbistas de origem, mas não gente que vinha de organizações da sociedade civil, mas não sindicatos, o eleitor-civil se esgota em si, o problema todo fica sendo é quando as idéias mudam com o contexto e aí são sobrepostas, surgem novas formas de pensar, ou estas mesmo ainda se desgastaram esse é o lugar onde o partido deveria ter força, a forças que aglutinou nas mais distintas cearas da sociedade. Uma força política simplesmente as vezes não tem capacidade de penetreção em algum lugar, se for por si só. 

Durante muito o finado PTB ( nada que vez com esse do Roberto Jefferson ) pode sim pegar seus panos podres e apontar o dedo pra 64, mas quem era o herdeiro político do Getúlio no nordeste? No norte?.

No Rio Grande do Sul existem famílias que dizem ” Eu votei no Getúlio eu no Jango e eu no Brizola “. Particularmente já ouvi e muito isso, me parece interessante. Mas a urna discorda, pra ela é muito pouco. O fenômeno do trabalhismo que construíu o país deixou tudo prontinho, assim como não deixou herdeiros relevantes.

No que diz respeito a ao fato que deu notoriedade mítica pro Brizola de quando aconteceu até a eternidade, A Cadeia da Legalidade. Reação armada a uma circunstância, “ Vão Nos Jogar Bomba “.  O pensamento tem que ser posto na sua circunstancia, o mundo vinha da Argélia sobrevivendo a França, o Vietnam sobrevivendo a esta mesma França e depois os Estados Unidos. A Baía dos Porcos,  a resistência no Equador em 54, ainda mais o Bogotazo no final dos anos 40.

1955 Pedro Eugenio Aramburu manda matar um número incontável de pessoas, no Massacre da Praça De Maio. No Rio Grande do Sul debaixo da liderança de Lionel Brizola se aguentou um golpe no qual o presidente, Jânio Quadros, que já tinha renunciado, tinha tudo armado, Jango na China não chegava no Rio a tempo, além do mais no Rio todos os aeroportos tinham pilhas de milicos esperando pra prender ele.

Pois veio e veio pelo Sul, primeiro no Uruguay depois Porto Alegre até que o Presidente João Goulart volta da China, e a solução pro impasse político criado. Jango tinha garantida a presidência, mas como? A direita propunha, PDS mais PTB = República Parlamentarista, Jango segue presidente e Tancredo de Primeiro Ministro. Proposta aceita, mas teve uma resistência.

Era sabido e ressabido que mantendo a volta do presidente que setores conservadores e que não aguentavam mais o tal do povo se dando bem, Jango vira inimigo. Era um período no qual a ação belicosa, na sua grossa maioria das vezes, não era belicosa por si, visava atingir um propósito político, de domínio de poder.

Sabendo que era impossível perguntar 1 a 1 das mais altas patentes do exercito, quem era traíra e quem não, quem conspirou pra derrubar o presidente e quem não. Diz se que Brizolaa queria eliminar, com perda da patente, todos envolvidos na conspiração. Pro Jango pareceu exagerado e nunca se pode esquecer, era um conciliador. Brizola não, queria até em momento de maior exaltação a execução dos traidores, pena capital, via em 61 o governador gaúcho a única chance de se impedir qualquer golpe posterior, ele tava coberto de razão. Mas o presidente era o Jango, não ele.

Do 1º de Abril de 1964 em diante, apagam a luz. Golpe e suas consequências mais latentes: AI-5, Médici, Rede Globo crescendo com aporte financeiro da Time Warner, falta de sofisticação e apoio popular pra ir pro conflito direto, armado contra o exército daqui. De 64 em diante são gestadas  muitas piores chagas da história recente brasileira.

Um sistema economico que cresceu só pra a torcida ver, o Milagre Brasileiro, pra falar a grosso modo pegava alguém com hipotermia e atirava em fogo ardendo. A educação, legado trabalhista, começa a ser sucateada. Grandes obras inúteis,  como campos de futebol, os Elefantes Brancos até além do Raio Que O Parta, estradas que eram grandes, feias e mal acabadas ( como a filha do…. ). No governo Médici, o Brasil se agarra de vez na mão da miséria, descuido com tudo aquilo que deve ter de básico cuidar de gente, é pra isso que se vai gerir um estado, certo? De um Estado e o pior, aqui que a violência de Estado sem sentido, criminosa, cuja primeira lição que deixa a um policial, findo regime é: ” Puta merda, acabou bater em comuna, viado e negrão e sair livre? Posso facilitar pro dono dessa boca trabalhar e fazer em um dia o que faço num mês “.

Mas seria de uma estupidez do tamanho do mundo achar que simplesmente por ser militar alguém não vá prestar. Saindo Médici e a muito contragosto  da Junta Militar, vindo Ernesto Geisel, ao contrário do Pinochet, dos 3 patetas na Argentina ( Viola, Videla, Massera ) era nacionalista, pra economia também. Fernando Henrique Cardoso, analisando unicamente o aspecto economico do seu governo, foi bastante mais desumano que Geisel.

Sejamos justos, ele não é menos assassino nem menos desprezível que os outros. O fato de não ficar pensando em matança 24 horas por dia, não abona ele. Na política externa, existem feitos interessantes de Geisel, que já percebia como era impossível sustentar o Regime.

Entre os feitos estão, o reconhecimento de Angola como um país, abrir relações diplomáticas com a China e revogou o AI-5, essa última obvio implicando no tema da Anistia, que eu acho, vou encher tela demais falando nos dois.

A figura do sucessor do Geisel, Figueiredo ( era torcedor do San Lorenzo de Almagro ) é a perfeita imagem de uma instituição que tá doida pra ir embora.  Um sujeito que diz que prefere sentir cheiro de merda no lugar de sentir cheiro do povo, deixa bem clara a escolha de um grosso contingente de militares é justamente pra que passem a voltar a lidar com temas militares, não de todo Estado.

Mas quando digo isso, digo por que se desgastaram, se não houvesse desgaste, e tudo como no auge do Milagre, fato que faz muita gente justificar um suposto gosto pela ditadura. ” Minha carteira tinha mais dinheiro, comprei um carro, isso é o mundo perfeito. ” Não houvesse desgaste, político de grana mesmo, o negócio agora os Contras, o Irã e fechar o caixão da União Soviética, vindo de todas as partes a operação condor começava a cair e não era nem de perto uma das grandes prioridades do Governo Reagan.

A volta pra democracia, ao cabo se dá mediante circunstancias conciliadoras, e com concessões feitas por parte de torturadores e torturados, como é de hábito histórico brasileiro. As costuras e acordos feitas de 83 a 85 no qual Tancredo desmonta a Arena e deixa Paulo Maluf e Mario Andreazza lá sozinhos, mais Maluf que em 83 se candidata prefeito de Santos e faz 1% mísero dos votos.

Tancredo, com mais protagonismo sobre seus pares, faz os bichos mais espertos lá de dentro saírem correndo. Sarney, Marco Maciel, ACM, foram os primeiros de acordo com seus desacordos a vazarem, Sarney indo pro PMDB, Maciel esperando o PSDB nascer e ACM junto com Bornahausen lembrando assim, dois nomes fizeram o PFL, atual DEM.

A Anistia foi ampla geral e irrestrita, ela não diferencia torturador de torturado. A reconstrução democrática do país, terminou ( literalmente ) com Mário Andreazza, que foi o candidato contra Tancredo na eleição colegial e colocou um eterno lacaio da ditadura, José Sarney como vice. Vice que nunca foi, o primeiro mandante do executivo democrata é um sujeito que não está conforme com ele. Mas honestamente, esse tio, como tantos outros tão cagando pilha pro regime, dá um caneta e dá uma poltrona e tudo que se assina ali se transforma em poder, assim tu tem um Marimbondo de Fogo feliz pra sempre.

Ah, o Golbery era o Gênio da Raça mesmo. Mas não era nem mãe nem puta, ele não pariu isso tudo sozinho

Ade E O Ismo, Outra Vez

Publicado em Capitalismo, Reflexão por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Março 23, 2009

Existe um traço latente no convívio da sociedade civil nos países de democracia recente, que na verdade esconde por debaixo do pano um medo e uma relação problemática com a autoridade.

É normal que existam rasgos excessivos de liberdade, totalmente aceitável pra dar um exemplo concreto a Carta Magna de 88. Tem representação política excessiva, existem demandas vindas até de gente do Raio Que O Parta. Nada ilegal, mas enchedor de linguiça, o que só pode ser chamado assim hoje, a seu tempo os representantes do Raio… verem na constituição representação política pra si era significativo e adequado com o período histórico que se vivia e não só pra eles como todo o conjunto da sociedade.

Saber que até o cara do Raio Que O Parta tinha força pra conseguir se legitimar numa demanda por mais aparentemente sem significado que fosse, foi saudável ao exercício democrático ainda incipiente.

Mas um vício que me parece bastante recorrente de lá, da volta do regime democrático até hoje diz respeito a autoridade em si, como é encarada, exercida.

Dentre os que exercem autoridade ( docentes, chefes de repartição, amas de casa com seus criados, pais com filhos…. ) é imperioso, por ser relação entre diferentes por natureza que se estabeleça certa distância, entre quem manda e quem obedece. Se pressupõe mérito e distinção no objeto trabalhado em questão perante os demais para que se exerça justamente um papel que distancia.

Quando se fala em distância não há de modo algum nenhum tipo de animosidade, falta de respeito ou ainda qualquer tipo de presunção de superioridade o que faria  da relação sempre algo litigioso. Esse é um dos equívocos, vem daí um certo medo de quem manda, compreensível antes devido a ordem vigente. A grosso modo, a ordem vigente é automaticamente ligada a um militar que sim ou sim buscava te torturar ou matar, exercício de imaginação sobre a autoridade em si, que perdura até hoje. 

A figura da autoridade se encontra erroneamente vinculada a um rompedor da ordem democrática, a uma espécie de tirano.

Por outro lado, o agente da autoridade amigão, que deixa o ambiente supostamente mais leve e tem como característica mais forte um bordão: ” Gente, comigo pode falar tudo, minha porta sempre está aberta”… Nesse sujeito encontra se a dois tipos.

O primeiro é alguém que compreende pouco os motivos de sua chegada a orientação do meio no qual está inserido. Esse sujeito que tem medo de ser confundido com alguma espécie de ultra vilão cuja função na face da terra é atormentar a vida do grupo que tem sob tutela, aqui tem o erro do conceito de autoridade, esse exemplo só não quer se incomodar, mais nada.

Já o segundo mau entendedor do conceito de autoridade vem de um sujeito autoritário e extremamente vaidoso, este filho do autoritarismo na verdade só quer ser adorado e bajulado pelos seus. Sempre, mas sempre mesmo, quando verdadeiramente questionado ou posta uma hipótese na qual um fiozinho de cabelo da sua tirania lhe escape pela mão, vira bicho, tenta ridicularizar quem lhe questionou, agora, o ambiente vira um inferno e pra todo mundo.

O cara sangue bom, complacente evapora, a máscara cai e um olho do cu que se julga superior por ter poder na mão acaba vazando e se demonstra alguém que é tudo, menos o sujeito compreensivo e pronto pra compartilhar que queria fazer parecer ser.

Pior ainda é viver em ambientes com gente assim, te deixa atado e sem saber o que fazer. Tem alguém mandando? Não querendo se incomodar? Querendo ser bajulado?

O mais odiado e desprezado é o pobre coitado que simplesmente vai lá e faz o trabalho dele. Cobra as coisas de acordo com tudo que foi estabelecido e não é muito afeito a personalismos.

Outra coisa advém do desgaste dos valores morais, que decaem em face e última análise perante os valores impostos pela sociedade de consumo. Esse resultadismo desalmado que enxerga só o fim, nunca o meio, gera gente que busca o seu empregado, aluno, alguém guiado como escravo.

O pior é que no fim de tudo, quem deveria mandar nem sabe o por que é tão péssimo e carregado de defeitos. É aceito por seu autoritarismo, sempre conveniente, desconhecido de como tratar pessoas e fazer o que o autoritarismo melhor faz, desumanizar as relações. 

Via de regra ser cobrado por uma autoridade é se sentir violado, metido em um absurdo quando é cobrado, afinal de contas ” eu estou pagando esta merda! “ é o sujeito que incrivelmente muitas instituições acabam deixando como parâmetro da qualidade daquilo que se propõe a fazer.

Esse ambiente apaixonado pelos fins e nada mais gera a Universidade Empresa, Repartição Pública Empresa, Time de Futebol Empresa, acabam pedindo um animador de circo não um especialista, que em um dia garanta aparência de um conhecimento via de regra fajuto e consiga a simpatia dos clientes. 

Alguém com autoridade, com noção de como é problemática e necessariamente problemática a relação entre pessoas não serve, não dá retorno imediato e ainda por cima o cara que sabe o que faz passa por chato, atrasado e competente, conhecedor do que quer fazer, até meio criminoso parece.

Apolítco Nem A Tua Mãe

Publicado em América Latina, Brasil, Capitalismo, Literatura, Política, Racismo, Reflexão, Socialismo, Índios por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Março 9, 2009

Ando com idéias e pouco tempo, me ocorreu falar sobre a politização do Borges e do Bioy. Se é verdade que sempre tiveram asco ao Peronismo e a figura do General e da Evita mais ainda, me parece que o personalismo desse ódio é mais filho do classismo que do próprio personalismo em si.

É ser de uma cabacice imensa dizer que os dois eram apolíticos, essa afirmação ridiculariza a qualquer um. Bioy era oligarca e Borges altérrimo burguês, o que Perón fez pro Borges, colocando ele de burocrata na Biblioteca Nacional, foi tacanho, vingativo, Borges só teve uma atuação política de relevo na vida que foi a revolução de 30 com os incidentes envolvendo a Yrigoyen. A parte na qual se diz que era partidário de Onganía e nos anos 70 era simpático a Balbín pra derrubar Perón é mentirosa. É compreensível a bronca, eles tem seus motivos, mas isso não torna digno de concordância que fossem de maneira tão ferrenha anti Peronistas, já que isso desembocava em ser anti povo.

Se tratava o Peronismo de um regime dirigido aos interesses populares, era das massas,  rompeu com uma série de paradigmas numa sociedade dualista, elitizada e conservadora não passaria batido por gente acostumada a ter governos de si e para si. Peron e o Peronismo foram fenômenos que não só acarinharam como afirmaram e garantiram as massas inegáveis ganhos e um tratamento digno a gente pobre, como nunca foram tratados antes, eram só os cabezas, cabezitas negras. Perón faz surgir na Argentina um processo de inclusão social muito forte, inédito, incomodando fortemente a oligarquia.

Os almoços com Videla dos Bioy, dos Ocampo e do próprio Borges são manchas desagradáveis nas biografias deles e de qualquer um seria. Mas não existe documentação de atuação política ferrenha dos dois, eram naturalmente de direita mas nunca apoiaram as práticas genocidas dos governos da Junta Militar. Nunca foi anarco como se amava dizer que era a natureza política de Borges ou não envolvido com a política. Um anarco é duríssimo de se achar, um apolítico não existe.

Eram duas pessoas de vida e conhecimentos políticos parcos, tinhos outros interesses, viviam a literatura quase como dois drogados viviam o vício. A obra dos dois nunca foi objeto de nenhuma intervenção conservadora, anti popular de forma que fosse ligada com suas convicções nos campos de pensamento sobre a polítca. Bioy( e Silvina é mais que Bioy ) é gênio e Borges uma entidade, qualquer tipo de se fazer ligação da obra deles com a atuação política que tiveram é antes de leviana extremamente vã e ignorante.

Na obra do tão amado Pablo Neruda sim se nota que há uma boa vontade e sim, dito por mim que sou de esquerda, já que com Neruda se nota uma boa vontade imensa e gigante por suas convicções progressistas.

Gilberto Freyre, explicou o Brasil da Casa Grande e da Senzala, o Brasil formando-se tendo como ponto de partida o negro e até hoje pelo fato de suas convicções direitosas é evitado em diversos ciclos universitários e mesmo nos meios intelectuais, Freyre era de direita se considerou inglês por muito tempo e era mais intelectual que qualquer imbecil que rechaça ele por sua natureza de pensar a polítca. Pelo tempo que passou na Inglaterra e onde teve sua educação tanto que era alfabetizado em inglês antes do próprio português, era filho de família oligarca, isso ( a condição social ) parece ser um impossibilitador de elocubrações intelectuais de qualquer tipo pra um setor muito do furreca, porém barulhento e influente da esquerda.

É Freyre sobrepujado pelo genial e até mais capaz e vasto que ele no papel de biógrafo do Brasil, Darcy Ribeiro, de esquerda. Darcy explica o Brasil através do índio, na verdade, começa a explicação por aí e infelizmente não existe boa pré disposição em relação a ele devido a seu talento gigantesco e sim devido a suas convicções políticas. Também foi Darcy um homem de grandes realizações políticas e sobretudo, humanas, não se resumiu nunca a ser um teórico. É ótimo que haja mesmo sendo dentro de um espaço restrito, uma noção e respeito de quem foi esse que foi muito que um grande homem.

Agora, quando falo direita, quero falar de Mario Vargas Llosa, dos argentinos como Bioy e Borges e até de um canalha completo como Sábato, também do que escreve o Delfim Netto num editorial da nojentérrima mas necessária de ler Folha de São Paulo. Espero dos bons direitosos valores morais conservadores e proteção liberal em relação a suas convicções de economia.

Ou ainda pra falar de mais gente, sujeitos como Edmund Wilson um conservador erudito, que em Rumo a Estação Finlândia se demonstra interessantíssimo fazendo uma análise de ícones esquerda, parece como que feita por um forasteiro, é interessantíssimo ver ele da relação entre Bakunin e Marx e os pontos em comum que estabelece entre os dois. Chegando na controvérsia poderia se falar de alguém como Ezra Pound. De escolhas políticas de uma natureza horripilante, fascista, mas de inegável talento e capacidade artístisca, era um poeta de mão cheia.

Não me obriguem a falar de gente reacionária que é caçadora do Lula, do Obama dos Kirchner, Evo, Chavez sempre achando motivos que busquem esculhambar o progresso voltado pras camadas populares de alguma forma. Pessoas que são plenas apoiadoras dos massacres no Iraque e no Afeganistão, favoráveis a pena de morte e sem um tiquinho de erudição. Pessoas incultas, nem um pouco letradas, zero de leitura e bagagem cultural. São tomadas de ódio e ganas de extermínio por tudo que seja negro ou pobre, não são conservadores e transcedem o trogloditismo proposto pelo reacionarismo, desconhecem obviamente o por que da própria burrice. No fim são gente que se levadas a sério se tornam perigosas de serem lidas ou escutadas, como símbolos dessa imbecilidade me vem na cabeça um sujeito como Bill O´Reilly e o lacaio dos Civita, Diogo Mainardi.

Convicções políticas e capacidade de se construir uma obra artística recheada de primeira grandeza nunca foram aliados. Aliás, insisto com gente cujo talento é supervalorizado justamente pode dever isso quem sabe as suas convicções políticas, Neruda é o caso que mais se destaca pra mim. É um bom poeta, de alguns versos lindos mas nunca um mito, pelo menos de caneta na mão.

Aliás e pra terminar, tamanha era a aversão de Bioy ao tema da política que quando recebia Cortázar para jantar ficava nervoso com os anseios de discutir polítca do convidado. Terminando, não ser profundamente ligado a política de maneira especifica não despolitiza a nada nem ninguém, simplesmente faz de alguém um sujeito que vive fora do ciclo de discussão estabelecido pelas organizações oficiais da política. Apolítico, nunca, não existe.

Os Ecochatos

Publicado em Reflexão por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Março 3, 2009

Tem pouca conversa mais chata e enfadonha, sobre um assunto tão sério, como a proposta pelos Ecochatos.

Essa figura que recicla, só come vegetal e caga ar puro a pleno CO2, propõe uma relação desumanizadora e impossível com o meio ambiente. Querem que tratemos de avivar a relação com a Natureza, já que existem certos assuntos inevitáveis e que são do interesse de uma pretensa existência e prosseguimento da vida desta grande mala sem alça que é a Mãe Terra. Começam partindo do sentido que a Natureza é a coisa mais maravilhosa, coração, pulmões e cabeça da nossa vã existência e a quem nossas práticas teimam em destruir.

Agora, querem que tenhamos uma relação idilíca com a Natureza. Já que nossas práticas rotineiras e cotidianas são a causa do homicídio da pobre coitada, daqui por diante só a salvação do Meio Ambiente interessa. Sempre tão gente fina essa harmonia, Bicho Homem-Mãe Natura, responsável por todos os discos acústicos e fases maconheiras de muitos dos nossos cantores de rock favoritos.

Não é recente essa conversa, que sim existem atos pra lá de porcos e extremamente evitáveis é verdade sim. Igual, não é nunca ruim esquecer, há nem 400 anos se cagava e não limpava o rabo, deixando bosta ao relento e ainda uma peste vinda da mesma natureza que só quer nosso bem matou mais de 1/3 da população na Europa, existem registros que vem da história e todos seus períodos de vulcões, terremotos e maremotos que demoliram e varreram do mapa toneladas de lugares.

Esse ser natural entupido de boas intenções cuja única causa justa da existência é dar abrigo e alimento aos animais, com uma ternura do tipo Ursinhos Carinhosos na qual somente o homem é burro e feroz pra atacar, lembremos, as formigas não fazem armas nucleares e também pra essa mesma filosofia deve se toda reverência ao orangotango, pois ele não faz guerra… pois, só a raça humana tão demente e vil, com tanta gana de  destruição e de facilitar da maneira mais porca a si mesmo tem de ter com o meio em que vive uma relação assim? Uma relação mesmo, o problema não reside em práticas distintas e que preservem o planetinha melhor, o problema aqui se encontra justamente no fato de se encontrar no Meio Ambiente, na Natureza, uma espécie de superioridade a ser amada e respeitada. Como se fosse uma pessoa, um Deus, líder de seita, algo com consciência e plenamente vivo.

Não bastando, a Natureza não é só digna de relação, como insistem é boa de caráter, justa, só faz o que é certo. Nós é que cagamos ela e nos devolve como castigo verões larguérrimos, geleiras derretendo, espécies animais sumindo e tsunamis.

No fim tudo se resume  ao homem e como ele cuida do meio que vive. Não do meio que ele vive, se existe preocupação com a Natureza é secundária, existe algum parafuso do ser humano funcionando mal e insisto com pegar no pé essa tentativa de transformar em idílica essa relação com a Natureza.

Primeiro que existe aqui uma mentira, a essência da natureza é de uma crueldade atroz e nunca boa praça. A proposição de uma relação idílica com ela é sem propósito, fora de lugar e ingênua. A natureza simplesmente é, uma coisa sempre foi, implacável. Ela não é boa mesmo, se te derruba é definitivo, implacável seria uma senhora definição, por que a crueldade dela advém do fato que quando é ruim e me surge um tsunami da vida, não foi por força de caráter de ninguém, aconteceu. 

Uma força da natureza por ela mesmo é incapaz de ter a si aplicada qualquer tipo de julgamento de caráter a si. Qualquer um é incapaz de aplicar juízo de valor moral a natureza, já que a natureza não tem vida moral ativa, nunca teve nem nunca vai ter, não é viva! Ela contém vida, mas isso não faz dela melhor, mais pura ou impossível de que nela exista algo de ruim. 

Toda retórica Ecochata é enchedora de ouvidos, mas sempre tão vazia de conteúdo, vem seguida de outras regrinhas dotadas de um espartanismo da fila da ( da-da, cacofônico sim ) pré escola. Antes de mais nada, tanto amor e preocupação com o meio em que se vive está na verdade acompanhada de um sentimento de culpa imenso. Me parece que a má relação com a solução de seus próprios problemas faz com que se desconte em uma maneira desproporcional na Natureza, a indústria do Ecochatismo agradece.

Parece psicologizar demais em cima do assunto, mas ao passo que sim é justo se preocupar com o que se passa em temas cujo âmago seja a Natureza, inevitável Natureza e repito fazer uma crítica nessa relação Humano-Natureza, uma relação que é idílica e na qual se busca uma relação com um ser considerado também superior, além de vivo. Resulta que se dá pro cuidado do meio ambiente na verdade toques de cuidados a si mesmo. Além, a Natureza oferece coisas que podem garantir satisfação imensa pra chatos, ecochatos e todos os demais chatos? Claro, mas ela não vive, ela não é boa tampouco ruim.

Não tem caráter pra ser julgada e oferecer do bom ou do pior, isso dando pra ela um aspecto inclusive de certa crueldade, pois se um fenômeno sem vida, porém natural te ataca nesse caso é definitivo e fulminante na maioria das vezes. Não oferece nenhuma saída.

Por isso que me espanta e chega um ponto no qual simplesmente é bastante irritante o povo que quer viver em uma espécie de doentia harmonia com a natureza, eles estão se desviando de alguma coisa, o ser humano anda mal resolvido demais consigo mesmo e nesse caso busca na natureza, inegavelmente importante, uma abnegação a ela que nunca dispôs nem a si mesmo. É confortante se sentir agente salvador do mundo e fugir dos problemas, fica meio como que ” vim, com problemas, mas o mundo, a natureza… isso é tão importante que cá estou “. Como se o ambiente em que se vive fosse pra se conviver, não é, tratar a Natureza com um ser concreto e dotado de vida ( duas características juntas ) é demência. 

O grau de parasitismo no uso dela sim que é cruel e devia ser discutido, mas daí pra conviver com isso como se fosse e se estivesse matando gente?