Mas até 3.0

Vai Fazer Falta

Publicado em América Latina, História, Música por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Outubro 7, 2009

Ultimamente ando escrevendo menos que nunca, meus compromissos outros todos só pedem presença de corpo, mais nada e que se diga o rei do Bitching About dessa vez tá cercado de gente muito querida. Um ano com isso aqui no ar e esse foi o máximo da minha vida pessoal que eu entreguei, calculado… mas na verdade sim me vem na cabeça um assunto, o de todo mundo desde domingo.

A Negra se foi. Judiaria, por mais esperado que já fosse, Mercedes Sosa vinha mal de saúde há tempos a derrubada final se deu quando começaram os inéditos problemas hepáticos. Sofria de depressão pesada e suas internações anteriores todas tiveram como origem problemas com os pulmões.

Os lugares comuns todos cabem… cantou o que viveu e viveu o que cantou, foi além de ser só uma cantora pra enquanto artista ser uma entidade honesta e brigadora pelos então afogados direitos civis, pouca gente mistura sem fazer pis e caca sua vida com sua obra. Foi presa, por horas, mas que se imagine que troço do caralho… foi presa ela junto com a platéia toda no meio de um show! Era em La Plata, 1979.

Cantou desde Alta Fidelidad, um senhor disco com músicas só do Charly Garcia no qual ela bota pra fuder num rockãozão com tudo aquilo de voz ( Cerca de la Revolucion a música ) indo até a Beth Carvalho, com quem cantou mais de uma vez. Muita gente acredita cegamente que foi uma cantora Folk e mais nada, nunca, foi uma cantora e de tudo.

Além de ter feito um discão com um dos grandes músicos populares desse lado de cá do mundo, existia entre Mercedes e Charly uma relação de amizade muito forte, maternal quase. Por mais de uma vez quando vivia duro e feito um mendigo de tão mal cuidado, quase morrendo literalmente, Mercedes pegava Charly no colo e lhe salvava o rabo.

Nunca teve uma ostensividade insuportável e babona que é típica de artistas metidos com política e geralmente são despolitizados. Imbecis que querem o Tibete livrem mas tampouco sabem o por que querem.

A Negra sabia, era defensora das liberdades plenas e sabia da grandeza que existia em pleitear isso e na verdade outra grandeza é fazer do envolvimento com a liberdade uma extensão dela.

Nasceu num 9 de julho, dia da pátria e morreu num 4 de outubro quando Violeta Parra nasceu. Essa foi uma mulher do cacete, em tempos de repressão deu a cara a tapa e metendo dedo na cara dessa gente de farda que matava sem discriminar ( aliás matar civis era o lado mais democrático dos regimes da Operação Condor na América Latina, não que fosse poupado quem estivesse por cima, mas corria os seus riscos).

Mercedes cantava feito doida, aquele vozeirão dava uma imposição imperial pra ela. Além disso e pra completar como se já não bastasse, sempre foi um papo de primeira, era interessante escutar o que tinha pra dizer sem música também.

Vai fazer falta.

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Um No Meu Um No Teu

Publicado em América Latina, Capitalismo, Crime, Política, Socialismo, Violência por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Abril 8, 2009

É fácil demais achar esqueleto no armário alheio.

Pelos motivos que já citei em um texto bastante largo ( http://sergiohrds.wordpress.com/2009/01/27/cesare-battisti-carta-aberta-de-silvio-tendler-ao-ministro-tarso-genro/ ), tenho a impressão, baseada não só em impressões, muito forte que Cesare Battisti é inocente. Mais, é um bode espiatório, que só é caçado pelo Berlusconi por pura conveniência, meter um ” subversivo terrorista ” na cadeia por um crime nos quais os verdadeiros culpados já estão presos.

O escândalo todo promovido por setores da opinião pública italiana, brasileira e além do mais, manifestações oficiais de deputados, diplomatas italianos acusando o governo brasileiro de dar teto a um terrorista, foi tão fora de lugar, desproporcional.

Ameaçaram até cancelar uma partida de futebol entre Brasil e Itália.

Pois… sabe quem esta devidamente asilado e bem acarinhado em solo italiano? Emilio Eduardo Massera, militar argentino, que entre 1976 e 1981 fez parte da Junta Militar que fez com que fossem  mortos e desaparecidos, juntos, em um período menor que 8 anos, muito mais de 30 mil pessoas.

Um homem que entre os igualmente repelentes e que a cada tempo vez e teve seu período de relevância na junta seja Viola, Videla, Agosti, Galtieri. Massera era o mais sórdido, tinha prazer em assistir gente sendo torturada. O entuasista mor da tortura com posterior assassinato do torturado. Funcionava assim, a vítima, era jogada de um avião em pleno voo e ouvia do soldado que o jogava no ar ” Já viu aquele filme da freirinha que voa? “.

Massera é um pusilânime, pra não ficar em termos tão exagerados podemos também dizer: Se trata Emilio Eduardo Massera de um vasta filho da puta. A seu pleno gosto e ordem a sede da ESMA ( Escola Superior Militar Argentina ) não só matava e torturava gente na sua sede, as presas grávidas tinham seus filhos roubados, davam a luz e as crianças sumiam. Roubados e dados a outras famílias que fossem simpáticas e apoiassem a Junta, muitas outras vezes eram mortos.

Massera tem camiseta com número de titular esperando ele pra jogar no time do inferno. Em 90 indultado ( no indulto geral ) pelo repelente, Carlos Saúl Menem. Porém em 1998 foi condenado por crimes de sequestro e outros crimes ligados a ser mandante de documentos falsos durante a Junta. As acusações que foram ligeiramente apresentadas em período posterior, eram as obvias, vieram nos crimes graves, que não tem prescrição ( por isso um milico brasileiro pode tranquilamente ir preso exatamente agora ), esses crimes são os crimes contra a humanidade.

Simulou em 2001 e 2005 duas lesões cerebrais, que supostamente lhe alegariam demência e incapacidade de responder pelas atrocidades que cometeu.

Porém, desde que os Kirchner pegaram o poder, antes com Nester agora com Cristina a tolerância com trâmites burocráticos que sempre favoreceram os criminosos como Massera foram todos acelarados. Com Massera na Itália mesmo, o judiciário argentino conseguiu fazer exames em Massera e provar que ” lesões cerebrais e demência ” eram bobagem. Mesmo não sendo mais criança, sempre soube muito bem o que fez e o que deixou de fazer.

Dia 26 de março Massera se chega a decisão que existe capacidade plena pra responder, mesmo na Itália, pelo que fez ou cometeu – Escolham.

Curto e grosso? Massera é um torturador, assassino que é verdade nunca agiu sozinho. Era subordinado sim a Antonio Astiz e tinha relações ótimas com a Igreja Católica, que dentro da Argentina tem pilhas de padres envolvidos em assassinatos, torturas, entregar gente que tentava escapar da Junta ou ainda de muitos dos governos opressores que desde 1930 se revezaram com os bons governos.

Lembremos que um bastião de tudo que é correto dentro da Argentina, Eva Perón, era odiada pela Igreja Católica. De cabeça agora me falta a certeza, mas me parece que ela foi excomungada e isso nem fazia lhe dava cócegas na consciência.

Ah… Acusam Battisti, equivocadamente, de ter matado 4. Certo?

Massera por alto é responsável pela morte de 30 mil.

A questão vai além da mera comparação, que se pode parecer simples é também verdadeira. Mas que é pra lá de irônico que Battisti seja considerado um vilão. Já Massera não se pode esquecer, uma tortura, dependendo de  como for é pior que um homicídio. Transforma a vida de alguém em extremamente limitada, fisicamente e mentalmente, uma vida mal vivida, com traumas gravíssimos e pesadérrimas limitações físicas, dificuldades até pra respirar por exemplo é menos digna que uma morte.

Massera, criminoso sem a menor possibilidade de existir discussão sobre sua culpabilidade, pode ficar na Itália e a Itália, administrada por um homem cuja reputação é limpa e proba, nunca errou e o dia no qual errou é por que tinha se enganado.

Battisti que até incapaz legalmente ( busquem a ficha criminal dele ) periga ser é um sujeito que de tãooooo perigoso, parece carregar a difusão da Aids, gremismo, tétano e um braço fraturado pra qualquer um que olhar pra ele.

Fala Que Te Escuto Se Der Respondo; Fidel Castro E A Crise

Publicado em América Latina, Brasil, Capitalismo, Crime, EUA, Economia, Fala que eu te escuto... se der respondo, História, Internet, Marx, Política, Socialismo, Índios por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Abril 5, 2009

Vale uma lida, de verdade que vale.

Fidel vai bem afundo das consequências concretas, imediatas ou esperando um pouco mais pra acontecer sobre a crise. Junto a ele estava o jornalista argentino, Atilio Borón, cujo link tá devidamente indicado no final do texto, assim como a direção original pra ir ler na Página.

Original da Página 12 Argentina, http://www.pagina12.com.ar/diario/elmundo/4-121232-2009-03-10.html

Por Fidel Castro

Finalizado el evento sobre Globalización y Desarrollo con la presencia de más de 1500 economistas, destacadas personalidades científicas y representantes de organismos internacionales reunidos en La Habana, recibí una carta y un documento de Atilio Boron, doctor en Ciencias Políticas, profesor titular de Teoría Política y Social, director del Programa Latinoamericano de Educación a Distancia en Ciencias Sociales (PLED), aparte de otras importantes responsabilidades científicas y políticas.

Atilio, firme y leal amigo, había participado el jueves 6 en el programa de la Mesa Redonda de la Televisión Cubana, junto a otras eminencias internacionales que asistieron a la Conferencia sobre Globalización y Desarrollo.

Supe que se marcharía el domingo y decidí invitarlo a un encuentro a las 5 de la tarde del día anterior, sábado 7 de marzo. Había decidido escribir una reflexión sobre las ideas contenidas en su documento. Utilizaré en la síntesis sus propias palabras:

“Nos hallamos ante una crisis general capitalista, la primera de una magnitud comparable a la que estallara en 1929 y a la llamada ‘Larga Depresión’ de 1873-1896. Una crisis integral, civilizacional, multidimensional, cuya duración, profundidad y alcances geográficos seguramente habrán de ser de mayor envergadura que las que le precedieron.

Se trata de una crisis que trasciende con creces lo financiero o bancario y afecta a la economía real en todos sus departamentos. Afecta a la economía global y que va mucho más allá de las fronteras estadounidenses.

Sus causas estructurales: es una crisis de superproducción y a la vez de subconsumo. No por casualidad estalló en EE.UU., porque este país hace más de treinta años que vive artificialmente del ahorro externo, del crédito externo, y estas dos cosas no son infinitas: las empresas se endeudaron por encima de sus posibilidades; el Estado se endeudó también por encima de sus posibilidades para hacer frente no a una sino a dos guerras no sólo sin aumentar los impuestos sino que reduciéndolos, los ciudadanos son sistemáticamente impulsados, por vía de la publicidad comercial, a endeudarse para sostener un consumismo desorbitado, irracional y despilfarrador.

Pero a estas causas estructurales hay que agregar otras: la acelerada financiarización de la economía, la irresistible tendencia hacia la incursión en operaciones especulativas cada vez más arriesgadas. Descubierta la ‘fuente de juvencia’ del capital gracias a la cual el dinero genera más dinero prescindiendo de la valorización que le aporta la explotación de la fuerza de trabajo y, teniendo en cuenta que enormes masas de capital ficticio se pueden lograr en cuestión de días, o semanas a lo máximo, la adicción del capital lo lleva a dejar de lado cualquier cálculo o cualquier escrúpulo.

Otras circunstancias favorecieron el estallido de la crisis. Las políticas neoliberales de desregulación y liberalización hicieron posible que los actores más poderosos que pululan en los mercados impusieran la ley de la selva.

Una enorme destrucción de capitales a escala mundial, caracterizándolo como una ‘destrucción creadora’. En Wall Street esta ‘destrucción creadora’ hizo que la desvalorización de las empresas que cotizan en esa Bolsa llega casi al 50 por ciento; una empresa que antes cotizaba en Bolsa un capital de 100 millones, ¡ahora tiene 50 millones!. Caída de la producción, de los precios, de los salarios, del poder de compra. ‘El sistema financiero en su totalidad está a punto de estallar. Ya tenemos más de U$S 500.000 millones en pérdidas bancarias, hay un billón más que está por llegar. Más de una docena de bancos están en bancarrota, y hay cientos más esperando correr la misma suerte. A estas alturas más de un billón de dólares han sido transferidos desde la FED al cartel bancario, pero un billón y medio más será necesario para mantener la liquidez de los bancos en los próximos años.’ Lo que estamos viviendo es la fase inicial de una larga depresión, y la palabra recesión, tan utilizada recientemente, no captura en todo su dramatismo lo que el futuro depara para el capitalismo.

La acción ordinaria de Citicorp perdió el 90 por ciento de su valor en 2008. ¡La última semana de febrero cotizaba en Wall Street a U$S 1,95 por acción!

Este proceso no es neutro pues favorecerá a los mayores y mejor organizados oligopolios, que desplazarán a sus rivales de los mercados. La ‘selección darwiniana de los más aptos’ despejará el camino para nuevas fusiones y alianzas empresariales, enviando a los más débiles a la quiebra.

Acelerado aumento del desempleo. El número de desempleados en el mundo (unos 190 millones en 2008) podría incrementarse en 51 millones más a lo largo de 2009. Los trabajadores pobres (que ganan apenas dos euros diarios) serán 1400 millones, o sea el 45 por ciento de la población económicamente activa del planeta. En Estados Unidos la recesión ya destruyó 3,6 millones de puestos de trabajo. La mitad durante los últimos tres meses. En la UE, el número de desempleados es de 17,5 millones, 1,6 millón más que hace un año. Para 2009 se prevé la pérdida de 3,5 millones de empleos. Varios Estados centroamericanos así como México y Perú, por sus estrechos lazos con la economía estadounidense, serán fuertemente golpeados por la crisis.

Una crisis que afecta a todos los sectores de la economía: la banca, la industria, los seguros, la construcción, etcétera, y se disemina por todo el conjunto del sistema capitalista internacional.

Decisiones que se toman en los centros mundiales y que afectan a las subsidiarias de la periferia generando despidos masivos, interrupciones en las cadenas de pagos, caída en la demanda de insumos, etcétera. EE.UU. ha decidido apoyar a las Big Three (Chrysler, Ford, General Motors) de Detroit, pero sólo para que salven sus plantas en el país. Francia y Suecia han anunciado que condicionarán las ayudas a sus industrias automotoras: sólo podrán beneficiarse los centros ubicados en sus respectivos países. La ministra francesa de Economía, Christine Lagarde, declaró que el proteccionismo podía ser ‘un mal necesario en tiempos de crisis’. El ministro español de Industria, Miguel Sebastián, insta a ‘consumir productos españoles’. Barack Obama, agregamos nosotros, promueve el ‘buy American!’.

Otras fuentes de propagación de la crisis en la periferia son la caída en los precios de las commodities que exportan los países latinoamericanos y caribeños, con sus secuelas recesivas y el aumento de la desocupación.

Drástica disminución de las remesas de los emigrantes latinoamericanos y caribeños a los países desarrollados. (En algunos casos las remesas son el más importante ítem en el ingreso internacional de divisas, por encima de las exportaciones.)

Retorno de los emigrantes, deprimiendo aún más el mercado de trabajo.

Se conjuga con una profunda crisis energética que exige reemplazar al actual, basado en el uso irracional y predatorio del combustible fósil.

Esta crisis coincide con la creciente toma de conciencia de los catastróficos alcances del cambio climático.

Agréguese la crisis alimentaria, agudizada por la pretensión del capitalismo de mantener un irracional patrón de consumo que ha llevado a reconvertir tierras aptas para la producción de alimentos para ser destinadas a la elaboración de agrocombustibles.

Obama reconoció que no hemos tocado fondo todavía, y Michael Klare escribió en días pasados que ‘si el actual desastre económico se convierte en lo que el presidente Obama ha denominado década perdida, el resultado podría consistir en un paisaje global lleno de convulsiones motivadas por la economía’.

En 1929 la desocupación en EE.UU. llegó al 25 por ciento, al paso que caían los precios agrícolas y de las materias primas. Diez años después, y pese a las radicales políticas puestas en marcha por Franklin D. Roosevelt (el New Deal), la desocupación seguía siendo muy elevada (17 por ciento) y la economía no lograba salir de la depresión. Sólo la Segunda Guerra Mundial puso fin a esa etapa. ¿Y ahora por qué habría de ser más breve? Si la depresión de 1873-1896, como expliqué, duró ¡23 años!

Dados estos antecedentes, ¿por qué ahora saldríamos de la actual crisis en cuestión de meses, como vaticinan algunos publicistas y ‘gurúes’ de Wall Street.

No se saldrá de esta crisis con un par de reuniones del G-20 o del G-7. Si una prueba hay de su radical incapacidad para resolver la crisis es la respuesta de las principales bolsas de valores del mundo luego de cada anuncio o cada sanción de una ley aprobatoria de un nuevo rescate: invariablemente la respuesta de ‘los mercados’ es negativa.

Ya no está la URSS, cuya sola presencia y la amenaza de la extensión hacia Occidente de su ejemplo inclinaba la balanza de la negociación a favor de la izquierda, sectores populares, sindicatos, etcétera.

En la actualidad, China ocupa un papel incomparablemente más importante en la economía mundial, pero sin alcanzar una importancia paralela en la política mundial. La URSS, en cambio, pese a su debilidad económica, era una formidable potencia militar y política. China es una potencia económica, pero con escasa presencia militar y política en los asuntos mundiales, si bien está comenzando un muy cauteloso y paulatino proceso de reafirmación en la política mundial.

China puede llegar a jugar un papel positivo para la estrategia de recomposición de los países de la periferia. Beijing está gradualmente reorientando sus enormes energías nacionales hacia el mercado interno. Por múltiples razones que serían imposibles discutir aquí es un país que necesita que su economía crezca al 8 por ciento anual, sea como respuesta a los estímulos de los mercados mundiales o a los que se originen en su inmenso –sólo parcialmente explotado– mercado interno. De confirmarse ese viraje es posible predecir que China seguirá necesitando muchos productos originarios de los países del Tercer Mundo, como petróleo, níquel, cobre, aluminio, acero, soja y otras materias primas y alimentos.

En la Gran Depresión de los años 30, en cambio, la URSS tenía una muy débil inserción en los mercados mundiales. China es distinto: podrá seguir jugando un papel muy importante y, al igual que Rusia e India (aunque éstas en menor medida), comprar en el exterior las materias primas y alimentos que necesite, a diferencia de lo que ocurría con la URSS en los tiempos de la Gran Depresión.

En los 30 la ‘solución’ de la crisis se encontró en el proteccionismo y la Guerra Mundial. Hoy, el proteccionismo encontrará muchos obstáculos debido a la interpenetración de los grandes oligopolios nacionales en los distintos espacios del capitalismo mundial. La conformación de una burguesía mundial, arraigada en gigantescas empresas que, pese a su base nacional, operan en un sinnúmero de países, hace que la opción proteccionista en el mundo desarrollado sea de escasa efectividad en el comercio Norte/Norte y las políticas tenderán –al menos por ahora y no sin tensiones– a respetar los parámetros establecidos por la OMC. La carta proteccionista aparece como mucho más probable cuando se la aplique, como seguramente se hará, en contra del Sur global. Una guerra mundial motorizada por ‘burguesías nacionales’ del mundo desarrollado dispuestas a luchar entre sí por la supremacía en los mercados es prácticamente imposible, porque tales ‘burguesías’ han sido desplazadas por el ascenso y consolidación de una burguesía imperial que periódicamente se reúne en Davos y para la cual la opción de un enfrentamiento militar constituye un fenomenal despropósito. No quiere decir que esa burguesía mundial no apoye, como lo ha hecho hasta ahora con las aventuras militares de Estados Unidos en Irak y Afganistán, la realización de numerosas operaciones militares en la periferia del sistema, necesarias para la preservación de la rentabilidad del complejo militar-industrial norteamericano e, indirectamente, para los grandes oligopolios de los demás países.

La situación actual no es igual a la de los años treinta. Lenin ‘el capitalismo no se cae si no hay una fuerza social que lo haga caer’. Esa fuerza social hoy no está presente en las sociedades del capitalismo metropolitano, incluido Estados Unidos.

EE.UU., Gran Bretaña, Alemania, Francia y Japón dirimían en el terreno militar su pugna por la hegemonía imperial.

Hoy, la hegemonía y la dominación están claramente en manos de EE.UU. Es el único garante del sistema capitalista a escala mundial. Si EE.UU. cayera se produciría un efecto dominó que provocaría el derrumbe de casi todos los capitalismos metropolitanos, sin mencionar las consecuencias en la periferia del sistema. En caso de que Washington se vea amenazado por una insurgencia popular todos acudirán a socorrerlo, porque es el sostén último del sistema y el único que, en caso de necesidad, puede socorrer a los demás.

EE.UU. es un actor irreemplazable y centro indiscutido del sistema imperialista mundial: sólo él dispone de más de 700 misiones y bases militares en unos 120 países que constituyen la reserva final del sistema. Si las demás opciones fracasan, la fuerza aparecerá en todo su esplendor. Sólo EE.UU. puede desplegar sus tropas y su arsenal de guerra para mantener el orden a escala planetaria. Es, como dijera Samuel Huntington, ‘el sheriff solitario’.

Este ‘apuntalamiento’ del centro imperialista cuenta con la invalorable colaboración de los demás socios imperiales, o con sus competidores en el área económica e inclusive con la mayoría de los países del Tercer Mundo, que acumulan sus reservas en dólares estadounidenses. Ni China, Japón, Corea o Rusia, para hablar de los mayores tenedores de dólares del planeta, pueden liquidar su stock en esa moneda porque sería una movida suicida. Claro está, que ésta también es una consideración que debe ser tomada con mucha cautela.

Estamos en presencia de una crisis que es mucho más que una crisis económica o financiera.

Se trata de una crisis integral de un modelo civilizatorio que es insostenible económicamente; políticamente, sin apelar cada vez más a la violencia en contra de los pueblos; insustentable también ecológicamente, dada la destrucción, en algunos casos irreversible, del medio ambiente; e insostenible socialmente, porque degrada la condición humana hasta límites inimaginables y destruye la trama misma de la vida social.

La respuesta a esta crisis, por lo tanto, no puede ser sólo económica o financiera. Las clases dominantes harán exactamente eso: utilizar un vasto arsenal de recursos públicos para socializar las pérdidas y reflotar a los grandes oligopolios. Encerrados en la defensa de sus intereses más inmediatos carecen siquiera de la visión para concebir una estrategia más integral”.

Si alguien toma esta síntesis y la lleva en el bolsillo, la lee de vez en cuando o se la aprende de memoria como una pequeña Biblia, estará mejor informado de lo que ocurre en el mundo que el 99 por ciento de la población, donde el ciudadano vive asediado por cientos de anuncios publicitarios y saturado con miles de horas de noticias, novelas y películas de ficción reales o falsas.

* Publicado en Granma. El documento completo de Boron puede leerse en www.atilioboron.com

1° de Abril, 1964

Publicado em América Latina, Brasil, Crime, EUA, Economia, Eleição, Política, Reflexão por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Abril 3, 2009

Atrasei um dia e nem vale dizer que é sacanagem só por que era o primeiro de abril. Sacanagem foi o que fizeram os conluíos do capital estrangeiro, de braço dado a política exterior dos EUA como uma criança pequena anda com o pai na rua. As vezes o papel se inverte, mas não é comum.  Os financiadores se travestem de seguranças e garantidores do processo de dominação seja política ou economica.

Os militares viabilizavam isso pelo continente latino americano todo, seja Strossner, Banzer, Pinochet, Massera- Viola- Videla. Dessa vez, pelo menos agora é oportuno que se lembre de Golbery que nunca foi chefe mandante mas fez seu estrago.

O Gênio da Raça como na época disse o Gláuber Rocha e ganhou pecha de maldito pela enésima vez na vida e dessa muita injustamente. Pra ganhar dignidade pública, pra recuperar moral público só depois daquilo que todo homem com a vida pública relevante termina fazendo. Morreu, as pessoas amam um corpo morto, o morto é um bicho muito do sábio.

A única grade herança da primeira e única matriz política brasileira, o Trabalhismo, com formação de bases eleitorais, porém não quadros, a inexistência dentro da Sociedade Civil Brasileira organismos que dessem respaldo a uma continuidade do regime democrático se fez ser vista.

Chegando na época em que foi presidente, Jango. Houve a construção de Brasília, cara, talvez até demais. Também não é menos verdade que a economia, pós Legalidade, em 61 ia mal. Mas se prometia uma cura com as reformas de base postas em ação. Era viável, plenamente.

Isso é muito bom de se notar, eleitores em base eleitoral sim, ptbistas de origem, mas não gente que vinha de organizações da sociedade civil, mas não sindicatos, o eleitor-civil se esgota em si, o problema todo fica sendo é quando as idéias mudam com o contexto e aí são sobrepostas, surgem novas formas de pensar, ou estas mesmo ainda se desgastaram esse é o lugar onde o partido deveria ter força, a forças que aglutinou nas mais distintas cearas da sociedade. Uma força política simplesmente as vezes não tem capacidade de penetreção em algum lugar, se for por si só. 

Durante muito o finado PTB ( nada que vez com esse do Roberto Jefferson ) pode sim pegar seus panos podres e apontar o dedo pra 64, mas quem era o herdeiro político do Getúlio no nordeste? No norte?.

No Rio Grande do Sul existem famílias que dizem ” Eu votei no Getúlio eu no Jango e eu no Brizola “. Particularmente já ouvi e muito isso, me parece interessante. Mas a urna discorda, pra ela é muito pouco. O fenômeno do trabalhismo que construíu o país deixou tudo prontinho, assim como não deixou herdeiros relevantes.

No que diz respeito a ao fato que deu notoriedade mítica pro Brizola de quando aconteceu até a eternidade, A Cadeia da Legalidade. Reação armada a uma circunstância, “ Vão Nos Jogar Bomba “.  O pensamento tem que ser posto na sua circunstancia, o mundo vinha da Argélia sobrevivendo a França, o Vietnam sobrevivendo a esta mesma França e depois os Estados Unidos. A Baía dos Porcos,  a resistência no Equador em 54, ainda mais o Bogotazo no final dos anos 40.

1955 Pedro Eugenio Aramburu manda matar um número incontável de pessoas, no Massacre da Praça De Maio. No Rio Grande do Sul debaixo da liderança de Lionel Brizola se aguentou um golpe no qual o presidente, Jânio Quadros, que já tinha renunciado, tinha tudo armado, Jango na China não chegava no Rio a tempo, além do mais no Rio todos os aeroportos tinham pilhas de milicos esperando pra prender ele.

Pois veio e veio pelo Sul, primeiro no Uruguay depois Porto Alegre até que o Presidente João Goulart volta da China, e a solução pro impasse político criado. Jango tinha garantida a presidência, mas como? A direita propunha, PDS mais PTB = República Parlamentarista, Jango segue presidente e Tancredo de Primeiro Ministro. Proposta aceita, mas teve uma resistência.

Era sabido e ressabido que mantendo a volta do presidente que setores conservadores e que não aguentavam mais o tal do povo se dando bem, Jango vira inimigo. Era um período no qual a ação belicosa, na sua grossa maioria das vezes, não era belicosa por si, visava atingir um propósito político, de domínio de poder.

Sabendo que era impossível perguntar 1 a 1 das mais altas patentes do exercito, quem era traíra e quem não, quem conspirou pra derrubar o presidente e quem não. Diz se que Brizolaa queria eliminar, com perda da patente, todos envolvidos na conspiração. Pro Jango pareceu exagerado e nunca se pode esquecer, era um conciliador. Brizola não, queria até em momento de maior exaltação a execução dos traidores, pena capital, via em 61 o governador gaúcho a única chance de se impedir qualquer golpe posterior, ele tava coberto de razão. Mas o presidente era o Jango, não ele.

Do 1º de Abril de 1964 em diante, apagam a luz. Golpe e suas consequências mais latentes: AI-5, Médici, Rede Globo crescendo com aporte financeiro da Time Warner, falta de sofisticação e apoio popular pra ir pro conflito direto, armado contra o exército daqui. De 64 em diante são gestadas  muitas piores chagas da história recente brasileira.

Um sistema economico que cresceu só pra a torcida ver, o Milagre Brasileiro, pra falar a grosso modo pegava alguém com hipotermia e atirava em fogo ardendo. A educação, legado trabalhista, começa a ser sucateada. Grandes obras inúteis,  como campos de futebol, os Elefantes Brancos até além do Raio Que O Parta, estradas que eram grandes, feias e mal acabadas ( como a filha do…. ). No governo Médici, o Brasil se agarra de vez na mão da miséria, descuido com tudo aquilo que deve ter de básico cuidar de gente, é pra isso que se vai gerir um estado, certo? De um Estado e o pior, aqui que a violência de Estado sem sentido, criminosa, cuja primeira lição que deixa a um policial, findo regime é: ” Puta merda, acabou bater em comuna, viado e negrão e sair livre? Posso facilitar pro dono dessa boca trabalhar e fazer em um dia o que faço num mês “.

Mas seria de uma estupidez do tamanho do mundo achar que simplesmente por ser militar alguém não vá prestar. Saindo Médici e a muito contragosto  da Junta Militar, vindo Ernesto Geisel, ao contrário do Pinochet, dos 3 patetas na Argentina ( Viola, Videla, Massera ) era nacionalista, pra economia também. Fernando Henrique Cardoso, analisando unicamente o aspecto economico do seu governo, foi bastante mais desumano que Geisel.

Sejamos justos, ele não é menos assassino nem menos desprezível que os outros. O fato de não ficar pensando em matança 24 horas por dia, não abona ele. Na política externa, existem feitos interessantes de Geisel, que já percebia como era impossível sustentar o Regime.

Entre os feitos estão, o reconhecimento de Angola como um país, abrir relações diplomáticas com a China e revogou o AI-5, essa última obvio implicando no tema da Anistia, que eu acho, vou encher tela demais falando nos dois.

A figura do sucessor do Geisel, Figueiredo ( era torcedor do San Lorenzo de Almagro ) é a perfeita imagem de uma instituição que tá doida pra ir embora.  Um sujeito que diz que prefere sentir cheiro de merda no lugar de sentir cheiro do povo, deixa bem clara a escolha de um grosso contingente de militares é justamente pra que passem a voltar a lidar com temas militares, não de todo Estado.

Mas quando digo isso, digo por que se desgastaram, se não houvesse desgaste, e tudo como no auge do Milagre, fato que faz muita gente justificar um suposto gosto pela ditadura. ” Minha carteira tinha mais dinheiro, comprei um carro, isso é o mundo perfeito. ” Não houvesse desgaste, político de grana mesmo, o negócio agora os Contras, o Irã e fechar o caixão da União Soviética, vindo de todas as partes a operação condor começava a cair e não era nem de perto uma das grandes prioridades do Governo Reagan.

A volta pra democracia, ao cabo se dá mediante circunstancias conciliadoras, e com concessões feitas por parte de torturadores e torturados, como é de hábito histórico brasileiro. As costuras e acordos feitas de 83 a 85 no qual Tancredo desmonta a Arena e deixa Paulo Maluf e Mario Andreazza lá sozinhos, mais Maluf que em 83 se candidata prefeito de Santos e faz 1% mísero dos votos.

Tancredo, com mais protagonismo sobre seus pares, faz os bichos mais espertos lá de dentro saírem correndo. Sarney, Marco Maciel, ACM, foram os primeiros de acordo com seus desacordos a vazarem, Sarney indo pro PMDB, Maciel esperando o PSDB nascer e ACM junto com Bornahausen lembrando assim, dois nomes fizeram o PFL, atual DEM.

A Anistia foi ampla geral e irrestrita, ela não diferencia torturador de torturado. A reconstrução democrática do país, terminou ( literalmente ) com Mário Andreazza, que foi o candidato contra Tancredo na eleição colegial e colocou um eterno lacaio da ditadura, José Sarney como vice. Vice que nunca foi, o primeiro mandante do executivo democrata é um sujeito que não está conforme com ele. Mas honestamente, esse tio, como tantos outros tão cagando pilha pro regime, dá um caneta e dá uma poltrona e tudo que se assina ali se transforma em poder, assim tu tem um Marimbondo de Fogo feliz pra sempre.

Ah, o Golbery era o Gênio da Raça mesmo. Mas não era nem mãe nem puta, ele não pariu isso tudo sozinho

Ditaputaquetepariu

Publicado em América Latina, Brasil, Crime, Foto, História, Política, Socialismo por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Março 26, 2009

Atrasado e sem desculpas qualquer tipo de desculpas, tinha que na data ter manifestado, de maneira curta como agora, mas devia ter sido no dia.  A Argentina foi atacada e desde aí até 1984, governada por uma curumilhagem das Forças Armadas no qual a regra quando branda era matar pra depois jogar no Rio da Prata, fosse mulher grávida, sem problemas. Muitas dondocas argentinas, entre elas a antiga sócia majoritária do Diário Clarín tem filhos que foram roubados de presas políticas, que pariam e depois eram torturadas e mortas. Era um 24 de março quando o país é tomado por gente da ESMA ( Escola Superior Militar Argentina ) que a Igreja Católica, eterna inimiga dos interesses populares na Argentina, começa a notadamente tomar o lado da direita e entrega pra morte, tortura ou desaparição dezenas de milhares de pessoas que muitas vezes não tinham nada com nada em relação ao confronto político. Todos esses agentes, nada novos na vida política local, em 1976 acabam fazendo do Estado aí um ente assassino, torturador e cerceador de liberdade, espero ( mas só espero infelizmente ) pelos lamentos, projeções coerentes de futuro com mais humanidade e reflexões profundas acerca os acontecimentos anteriores, e posteriores do dia 1º de abril/1964, a vez que no Brasil houve tomada ilegal e por parte de criminosos da pior estirpe pra comandarem um processo ditatorial e igualmente carniceiro no poder.

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Apolítco Nem A Tua Mãe

Publicado em América Latina, Brasil, Capitalismo, Literatura, Política, Racismo, Reflexão, Socialismo, Índios por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Março 9, 2009

Ando com idéias e pouco tempo, me ocorreu falar sobre a politização do Borges e do Bioy. Se é verdade que sempre tiveram asco ao Peronismo e a figura do General e da Evita mais ainda, me parece que o personalismo desse ódio é mais filho do classismo que do próprio personalismo em si.

É ser de uma cabacice imensa dizer que os dois eram apolíticos, essa afirmação ridiculariza a qualquer um. Bioy era oligarca e Borges altérrimo burguês, o que Perón fez pro Borges, colocando ele de burocrata na Biblioteca Nacional, foi tacanho, vingativo, Borges só teve uma atuação política de relevo na vida que foi a revolução de 30 com os incidentes envolvendo a Yrigoyen. A parte na qual se diz que era partidário de Onganía e nos anos 70 era simpático a Balbín pra derrubar Perón é mentirosa. É compreensível a bronca, eles tem seus motivos, mas isso não torna digno de concordância que fossem de maneira tão ferrenha anti Peronistas, já que isso desembocava em ser anti povo.

Se tratava o Peronismo de um regime dirigido aos interesses populares, era das massas,  rompeu com uma série de paradigmas numa sociedade dualista, elitizada e conservadora não passaria batido por gente acostumada a ter governos de si e para si. Peron e o Peronismo foram fenômenos que não só acarinharam como afirmaram e garantiram as massas inegáveis ganhos e um tratamento digno a gente pobre, como nunca foram tratados antes, eram só os cabezas, cabezitas negras. Perón faz surgir na Argentina um processo de inclusão social muito forte, inédito, incomodando fortemente a oligarquia.

Os almoços com Videla dos Bioy, dos Ocampo e do próprio Borges são manchas desagradáveis nas biografias deles e de qualquer um seria. Mas não existe documentação de atuação política ferrenha dos dois, eram naturalmente de direita mas nunca apoiaram as práticas genocidas dos governos da Junta Militar. Nunca foi anarco como se amava dizer que era a natureza política de Borges ou não envolvido com a política. Um anarco é duríssimo de se achar, um apolítico não existe.

Eram duas pessoas de vida e conhecimentos políticos parcos, tinhos outros interesses, viviam a literatura quase como dois drogados viviam o vício. A obra dos dois nunca foi objeto de nenhuma intervenção conservadora, anti popular de forma que fosse ligada com suas convicções nos campos de pensamento sobre a polítca. Bioy( e Silvina é mais que Bioy ) é gênio e Borges uma entidade, qualquer tipo de se fazer ligação da obra deles com a atuação política que tiveram é antes de leviana extremamente vã e ignorante.

Na obra do tão amado Pablo Neruda sim se nota que há uma boa vontade e sim, dito por mim que sou de esquerda, já que com Neruda se nota uma boa vontade imensa e gigante por suas convicções progressistas.

Gilberto Freyre, explicou o Brasil da Casa Grande e da Senzala, o Brasil formando-se tendo como ponto de partida o negro e até hoje pelo fato de suas convicções direitosas é evitado em diversos ciclos universitários e mesmo nos meios intelectuais, Freyre era de direita se considerou inglês por muito tempo e era mais intelectual que qualquer imbecil que rechaça ele por sua natureza de pensar a polítca. Pelo tempo que passou na Inglaterra e onde teve sua educação tanto que era alfabetizado em inglês antes do próprio português, era filho de família oligarca, isso ( a condição social ) parece ser um impossibilitador de elocubrações intelectuais de qualquer tipo pra um setor muito do furreca, porém barulhento e influente da esquerda.

É Freyre sobrepujado pelo genial e até mais capaz e vasto que ele no papel de biógrafo do Brasil, Darcy Ribeiro, de esquerda. Darcy explica o Brasil através do índio, na verdade, começa a explicação por aí e infelizmente não existe boa pré disposição em relação a ele devido a seu talento gigantesco e sim devido a suas convicções políticas. Também foi Darcy um homem de grandes realizações políticas e sobretudo, humanas, não se resumiu nunca a ser um teórico. É ótimo que haja mesmo sendo dentro de um espaço restrito, uma noção e respeito de quem foi esse que foi muito que um grande homem.

Agora, quando falo direita, quero falar de Mario Vargas Llosa, dos argentinos como Bioy e Borges e até de um canalha completo como Sábato, também do que escreve o Delfim Netto num editorial da nojentérrima mas necessária de ler Folha de São Paulo. Espero dos bons direitosos valores morais conservadores e proteção liberal em relação a suas convicções de economia.

Ou ainda pra falar de mais gente, sujeitos como Edmund Wilson um conservador erudito, que em Rumo a Estação Finlândia se demonstra interessantíssimo fazendo uma análise de ícones esquerda, parece como que feita por um forasteiro, é interessantíssimo ver ele da relação entre Bakunin e Marx e os pontos em comum que estabelece entre os dois. Chegando na controvérsia poderia se falar de alguém como Ezra Pound. De escolhas políticas de uma natureza horripilante, fascista, mas de inegável talento e capacidade artístisca, era um poeta de mão cheia.

Não me obriguem a falar de gente reacionária que é caçadora do Lula, do Obama dos Kirchner, Evo, Chavez sempre achando motivos que busquem esculhambar o progresso voltado pras camadas populares de alguma forma. Pessoas que são plenas apoiadoras dos massacres no Iraque e no Afeganistão, favoráveis a pena de morte e sem um tiquinho de erudição. Pessoas incultas, nem um pouco letradas, zero de leitura e bagagem cultural. São tomadas de ódio e ganas de extermínio por tudo que seja negro ou pobre, não são conservadores e transcedem o trogloditismo proposto pelo reacionarismo, desconhecem obviamente o por que da própria burrice. No fim são gente que se levadas a sério se tornam perigosas de serem lidas ou escutadas, como símbolos dessa imbecilidade me vem na cabeça um sujeito como Bill O´Reilly e o lacaio dos Civita, Diogo Mainardi.

Convicções políticas e capacidade de se construir uma obra artística recheada de primeira grandeza nunca foram aliados. Aliás, insisto com gente cujo talento é supervalorizado justamente pode dever isso quem sabe as suas convicções políticas, Neruda é o caso que mais se destaca pra mim. É um bom poeta, de alguns versos lindos mas nunca um mito, pelo menos de caneta na mão.

Aliás e pra terminar, tamanha era a aversão de Bioy ao tema da política que quando recebia Cortázar para jantar ficava nervoso com os anseios de discutir polítca do convidado. Terminando, não ser profundamente ligado a política de maneira especifica não despolitiza a nada nem ninguém, simplesmente faz de alguém um sujeito que vive fora do ciclo de discussão estabelecido pelas organizações oficiais da política. Apolítico, nunca, não existe.

Latino? ( original de 19/09/08, bastante alterado )

Publicado em América Latina, EUA, Política por Sérgio Henrique Ribeiro da Silva em Outubro 1, 2008
Os Estadunidenses criaram uma raça… pra acomodar ( fisicamente e pra posterior efeito criar uma cultura que tenha a reboque prontinho um mercado de consumo ) os imigrantes que chegam lá aos milhões vindos do México pra baixo. Inventaram os ” latinos “, todos aqueles com praia e sol por perto, com pele escura ou idioma que seja filho do latim…. são todos iguais. Existe roupa latina, arte latina, estética latina, jeito de ser latino, cnn latino, mtv latino, até carros latinos ( low-riders ).
Em qualquer enlatado americano tem uma Lupe ( LoooooopEEEEEEEWWWW ) que é a feliz serviçal da típica família americânica. De acordo com o funcionamento natural das coisas a latina é a serviçal acomodada pelo mesmo motivo que dois e dois são quatro, tem sua nacionalidade, hondurenha, equatoriana, brasileira ( português é uma corruptela do espanhol pra eles), chilena dada como irrelevante, afinal de contas ela é Latttttina, rrrrumba, saaaamba, caipirina. Vi e li mais de um americano jurar ( até ganhar o Oscar ) que Javier Bardem era chileno ou argentino.
Esse estereótipo babaca, na qual o sujeito atinge o auge da vida vivendo como vendedor ou comprador de eletrodomésticos em Miami, se espalhou pelo mundo, assim como o estereótipo dos árabes, asiáticos, que também foram arrebatados por essa idéia equivocada, rechada de ignorância. Ao contrário do que muito pensa ou gostaria que assim fosse, não é exclusividade americana basta ver que no Brasil mesmo não se sabe a diferença entre um uruguaio e um equatoriano e que orientais são todos japoneses.  
Que se diga, muito disso também não pode ser visto de maneira elitista e blasé como só ” arrogância ” essas generalizações, estereotipar é humano por mais que as vezes seja sim sempre uma alternativa mais reducionista.
 
Até que veio o véio…….. candidato ao cargo de dono do mundo John McCain…. deu a seguinte cagada boca afora.
Durante uma entrevista pra uma emissora de rádio americana, ele confunde o 1º ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, com algum literalmente algum, líder sul americano. O genial de tudo é que no meio dessa confusão na cabeça do camarada, ele no áudio se dá conta da cagada, mas se afunda tanto na merda que fica dando volta e volta e aí me ele cria outro Estado, surge uma nova localidade abstrata entre Venezuela e Bolívia se criou um terceiro imaginário país na cabeça do McCain já que esse Zapatero não lhe era estranho, também era de esquerda como Chavez e Morales. 
A única coisa que ele conseguia lembrar, sabia quem é Zapatero.
Não deu ataque de senlidade o que aconteceu com o tio, foi aquilo que acontece com todo ser humano enquanto fala de alguma coisa do nada… DEU BRANCO, ou ainda a derivação deste, NÃO LEMBRO AGORA MAS SEI EXPLICAR.
Devia tá pensando:
Zapatero? Zapatero? Zapatero? Puta Merda! Se eu falar que é de comunista anula o fato de ser latino? Caralho! Comuna e Latino? É pra fuder o cú do paiaço também….. Quer apostar que assim que eu chegar em casa eu me lembro? “
McCain se enrola e a entrevistadora não entende nada, segue perguntando o que queria saber, sobre Zapatero.
Deve ter pensando que o mundo tava de sacanagem com ele, a única coisa que naquele momento, por algum lapso de memória ele não ia lembrar, nem por nada ia lembrar. Entrou em campo os anos de praia que Mccain tem nas costas, tinha que desviar da pergunta sem respondê-la, coisa comum na retórica da política. Pois então ele fala e tangiversa mais ou menos como…. ” Zapatero? Sim claro, essa situação aí é grave, mas o diálogo tudo cura, estamos abertos ao diálogo sempre ” …. o negócio é que a coisa tá pegando aqui pra América do Sul, a estereotipagem foi o combustível pra essa misturança toda.
Pensou McCain estar respondendo sobre os brancões nazi da Bolívia não aceitam que Evo foi eleito por eleição ( dã! ) e reeleito por referendo não é negrada? Zapatero é lá na Espanha….. El Zapa tá é se incomodando com a econômia na Espanha e ajudando a meter os indíces europeus um pouco mais pra baixo que o normal, Zapatero culpa Mariano Rajoy, líder da oposição, que se recusou a votar com a base do governo projetos importantes no legislativo por puro capricho político ( essa filha da putice tacanha é típica dos dois, Rajoy e Zapatero ) por isso é um assunto problemático na política internacional…. a direção da pergunta era essa.
Adoraria encher a boca pra dizer que o McCain é um imbecil. Mas não é.
É republicano, mas ah… eu tenho que ter um pouco de respeito com as minhas broncas. Sarah Pailin sim, é uma piada pronta e com essa crise econômica que tá virando recessão, se vê logo que uma Criacionista não é muito o que se anda precisando, aliás que pena das circunstâncias que uma Criacionista acaba virando protagonista ( não era pra rimar ).